O desejo de abrir um negócio em conjunto não era tão novo. Na realidade, os chefs Pedro Barros e Victor Zuliani já se conheciam há muito tempo, trabalharam juntos na cozinha do Nicolau Bar da Esquina, do chef Leo Paixão, e já conversavam sobre um projeto próprio.
Depois de um ano de planejamento, finalmente a dupla vai celebrar, nesta quarta-feira (26/8), a abertura do Casca Bar, no Bairro Carmo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O estabelecimento de 62 lugares tem uma cozinha aberta e imponente, que pode ser vista inclusive por quem passa na rua.
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No menu, a dupla se dispõe a explorar a fermentação em suas diferentes formas e a brasa. "Sou muito apaixonado por fermentados e já estava com uma ideia antiga de usar mais brasa na cozinha. Assim, nós criamos esse conceito de um bar focado em brasa e fermentação e decidimos usá-lo com força", enfatiza Pedro.
Pratos como o brochete de polvo com kimchi (fermentado de acelga coreano que é fornecido pelo bar vizinho, o Fuga), vendido a R$ 55; o purê de couve-flor (R$ 39), com couve-flor na brasa e picles de batata yacon (tubérculo originário do Peru); ou os huevos bagunçados (inspirados nos huevos rotos espanhóis, vendidos a R$ 38), que unem batatas fritas, creme de gema curada e copa lombo defumada, evidenciam um dos maiores objetivos de Pedro e Victor: não servir pratos principais.
Essa ideia tem a ver, inclusive, com uma necessidade pessoal de Pedro, que gosta de conhecer restaurantes sozinho e experimentar muitas coisas. "Comecei a perceber que muitas pessoas, assim como eu, gostam de sair sozinhas ou com grupos pequenos e acaba conseguindo experimentar poucas coisas do cardápio", conta, dizendo perceber ainda que outras casas acabavam seguindo uma proposta de porções muito reduzidas, o que também não era um caminho ideal para eles.
Brochete de polvo com kimchi é uma das opções que podem ou não ser compartilhadas
O formato perfeito para Victor e Pedro são porções menores e distantes de um prato principal, que funcionam muito bem independente, mas podem ser combinadas entre si, caso um cliente queira comer um pouco mais. "Quem quiser mais pode casar uma porção com a outra, mas o cardápio também faz sentido para os que querem só petiscar em um happy hour", explica.
Do nome à mesa
A ideia do nome Casca veio de Victor e logo se conectou com a proposta do estabelecimento. No menu, é possível encontrar, por exemplo, um corte bovino grelhado do dia (que atualmente é o denver), acompanhado de chimichurri de casca de cítricos com maria-gondó (R$ 78).
No drinque que leva o nome da casa (R$ 40), assinado por Diego Kruz, a mistura de jerez, Cynar 70 (bebida à base de alcachofra), vermute e água de flor de laranjeiras ganha o toque de cordial de cascas de frutas feito na casa.
Outra bebida interessante que faz da fermentação protagonista é o Sobrio Sour (R$ 25), que é sem álcool, e feito com koso (xarope fermentado) de vinagrete e limões-tahiti e siciliano.
Carta de sidras
A casa tem uma cozinha aberta que dá visão para a rua
Um dos grandes diferenciais do menu do Casca é uma seção dedicada às sidras. As bebidas fermentadas de maçã vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado belo-horizontino, sobretudo com duas produções locais, das marcas Manza (R$ 25) e Aparesidra (R$ 25).
Pedro fez uma seleção de cinco rótulos da bebida inicialmente, mas isso deve aumentar em breve. De Minas, ou melhor, de BH, tem a Manza tradicional, a Aparesidra tradicional e a Enaltesidra (R$ 25), também produzida pela Aparesidra, mas que une o abacaxi à maçã.
Do Rio de Janeiro, servem a sidra Evva (R$ 23), e, de São Paulo, a Çã (R$ 32).
Decoração simbólica
A abertura de uma nova casa é sempre especial, mas, para Pedro, a chegada do Casca tem um simbolismo ainda maior. No ano passado, ele perdeu a mãe, que também era sua sócia no seu outro negócio, o restaurante Majuma. "Depois desse episódio, fiquei mais pensativo sobre a vida e quis tirar ideias que tinha do papel", conta, dizendo que daí veio a iniciativa de planejar o novo bar.
Hoje, quem chega ao Casca pode ver uma parede repleta de plantas secas bordadas pela mãe de Pedro. "A decoração é quase toda feita com objetos da minha mãe. Ela fazia muitos artesanatos usando folhas e cascas de árvores", explica, relacionando ainda o dom da mãe ao nome da casa.
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Serviço
Casca Bar (@casca_bar)
Rua Outono, 579, Carmo
Quarta e quinta, das 18h às 23h
Sexta, das 18h à 0h
Sábado, das 17h à 0h
