Em 1907, Gustav Mahler (1860-1911) deixou o cargo de diretor da Ópera de Viena sob ataques antissemitas, perdeu a filha de 4 anos e foi diagnosticado com doença grave no coração. Não seria surpresa que a tragédia se refletisse na obra do compositor. Exatamente por isso, a “Sinfonia nº 9 em ré maior”, popularmente conhecida como “Nona sinfonia de Mahler”, é considerada uma espécie de despedida.


“Ela já começa como um batimento cardíaco sincopado”, compara Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Pela primeira vez, a “Nona de Mahler” será apresentada na Sala Minas Gerais, em concertos nesta quinta e sexta-feira (5 e 6/11). Em seguida, a peça será gravada como parte do projeto inédito destinado a registrar todas as sinfonias do compositor checo-austríaco. Com a gravação da “Nona”, fica faltando somente a “Oitava”.


“Sempre que possível, Mahler colocava conteúdo autobiográfico, ou, pelo menos, uma visão filosófica, em suas obras. No caso da 'Nona', foi um momento de muito estresse. Mas, ao mesmo tempo em que se tem o caráter melancólico, podemos perceber certa tranquilidade e resignação”, explica o maestro.


Composta entre 1908 e 1909, a sinfonia mantém a estrutura tradicional de quatro movimentos. Contudo, em vez de repetir o padrão, começando com andamento rápido para depois seguir mais lento até voltar à agilidade, Mahler seguiu caminho diferente.


O primeiro movimento é marcado por momentos de calma e passagens de grande tensão. No segundo, surge a dança de aparência campestre, e, no terceiro, a música ganha caráter quase frenético. Por fim, Mahler abandona a agitação em favor da meditação. É o momento de lentidão.


“É uma das melhores demonstrações musicais do que seria o desapego à vida. A música vai se desintegrando. Ela não termina, vai desaparecendo. É um constante ‘diminuendo’ de volume e de tempo. A coisa vai se esfacelando ao ponto de chegar ao nada”, descreve Mechetti.


Mesmo herdando a tradição de Beethoven, Schubert, Wagner e Bruckner, Mahler buscou rupturas, característica da música do século 20.


“Um gênio como ele sabia muito bem como dosar as coisas, fazer de uma sinfonia um estudo em contrastes”, afirma o maestro. “Para os músicos, executar as sinfonias de Mahler é equivalente às Olimpíadas. É o máximo que você pode fazer como orquestra, como músico individual e coletivo. Ao mesmo tempo em que é um desafio, é uma demonstração da capacidade técnica e expressiva”, finaliza Mechetti.


SINFÔNICA


Nesta quinta-feira (5/11), a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais apresenta o concerto “Diálogos”, às 20h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). O programa reúne “Abertura”, da ópera “Ruslan e Lyudmila”, de Mikhail Glinka; “Concerto para clarinete em lá maior”, de Mozart; e “Sinfonia nº 2 em dó menor (Pequena Rússia)”, de Tchaikovsky. Regência do maestro convidado Hilo Carriel. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), à venda na bilheteria e na plataforma Sympla. Informações: (31) 3236-7400.

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“NONA SINFONIA” DE MAHLER
Concerto da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Nesta quinta e sexta-feira (5 e 6/11), às 20h30, na Sala Minas Gerais (Rua Tenente de Brito Melo, 1.090, Barro Preto). Ingressos: R$ 185 (balcão principal), R$ 143 (plateia central), R$ 105 (balcão lateral), R$ 84 (balcão palco), R$ 58 (coro e terraço) e R$ 50 (mezanino), à venda no site filarmonica.art.br e na bilheteria. Informações: (31) 3219-9000.


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