Com chegada nesta quinta (29/10) aos cinemas, “Três horas para viver” é um buddy movie de ação com uma dupla improvável. O fortão Alan Ritchson, estrela da série “Reacher”, se une a Owen Wilson para uma jornada com apelo sentimental. Os dois têm pouco tempo para entregar o órgão que vai salvar a vida de uma garotinha.
No meio do caminho, eles têm que se safar de um vilão que está atrás da “mercadoria” por razões pessoais. O papel é de Rodrigo Santoro, impagável como o chefe de uma gangue latina. Não dá para levar nada a sério. Ainda que seja descartável e amontoe clichês de produções do gênero, o filme garante algumas gargalhadas.
Em Gold Coast, conhecida como a Orlando da Austrália (e também destino do surf), Hank Malone (Ritchson) é um entregador de alto nível solitário, alcoólatra em recuperação. Foi contratado para escoltar o médico Ben Bishop (Wilson), simpático até demais, porque não cala a boca. Eles devem levar o órgão para transplante em uma cidade vizinha.
No início do caminho, são abordados na base da força bruta. É neste cenário que surge Damián Zaldivár (Santoro), à frente de bandidões que dominam o crime na região. A disputa se torna mais intensa com socos, tiros e facadas aos montes. Ao mesmo tempo, Malone tem de lidar com a língua solta de Bishop, insuportável para seu estilo caladão.
Palavrão
Com o corpo tatuado, vestindo couro preto sob o sol da costa dourada australiana, Santoro é um contraste e tanto com o cenário local. Logo que seu personagem entra em cena, ele já manda algumas palavras em português. É a primeira vez que ele tem a possibilidade de fazer isso em uma produção internacional.
“(O português) Surgiu num improviso. Na verdade, estava ensaiando uma cena de ação e bati o joelho. Dei uma xingada e o diretor (Scott Waugh) me perguntou o que eu tinha falado. Disse que xinguei um palavrão e ele comentou: ‘Mas isso não é espanhol, né?’. Falei que era português e ele disse que tinha gostado”, conta Santoro.
A partir deste momento, ficou decidido que ele poderia usar alguns termos em português. “Mas eu precisava justificar. De repente, o pai desse camarada virou brasileiro. E aí tudo foi entrando no improviso, nada estava no roteiro. Trouxe humor para o personagem que precisava encontrar um tom muito específico. É filme de ação com o Owen Wilson, um comediante, e o Alan Ritchson, um clássico herói de ação. Então eu precisava me encaixar dentro desse filme.”
“Três horas para viver” é o primeiro longa-metragem internacional em que Santoro atua desde “Power” (2020), estrelado por Jamie Foxx. “Achei que tinha uma história boa atrás da ação. Foram semanas no set, improvisei com o Owen Wilson. Tem até uma cena no final fruto de improviso.”
Para o ator, que recentemente foi visto numa produção autoral de prestígio como “O último azul” (2025) e também na distopia comercial “Corrida dos bichos” (2026), o que interessa é a diversidade. “Eu tenho apetite para tudo o que é distante da minha realidade, para coisas que não conheço. Essas experiências só me ensinam e me mostram novas formas de entender o mundo. Fora o fato de que uma hora posso estar na Austrália trabalhando.”
Santoro diz que levar o português para uma história em inglês foi libertador. “Não se compara, pois você está se expressando com todo o seu corpo, sua alma, com quem você é. Se o pai (do personagem) é brasileiro, arrumei uma tatuagem no braço que é o pai dele. Não coloco coisas aleatórias nem no figurino, nem na maquiagem. Tudo tem história. Se não, vira caricatura”, finaliza.
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“TRÊS HORAS PARA VIVER”
(Austrália/EUA/Reino Unido, 2026, 98min.) – De Scott Waugh, com Alan Ritchson, Owen Wilson e Rodrigo Santoro. O filme estreia hoje nos cines BH 6, Boulevard 5, Cidade 2, Contagem 2, Del Rey 2, Diamond 3, Itaupower 2, Minas Shopping 4, Monte Carmo 7, Pátio 4 e Via 2.
