Quatro artistas mineiros radicados no Rio de Janeiro se juntaram para criar “Experiência genealógicos”, díptico teatral que estreia neste sábado (10/10), no Galpão Cine Horto. Na primeira montagem, dois irmãos se reencontram depois de seguirem caminhos diferentes. Na segunda, um casal constrói uma relação enquanto tenta conciliar os desejos de cada um.



O projeto é o primeiro trabalho do núcleo de criação Genealógicos, formado por Rafael Coutinho, Lucas Rocha, Vinícius Rocha e Bela Barros. Lucas e Vinícius são irmãos e começaram a trabalhar com teatro ainda em Belo Horizonte.



A ideia inicial era fazer apenas uma peça. Ao longo do processo, o trabalho ganhou dois espetáculos independentes, que podem ser vistos separadamente, mas foram pensados para funcionar melhor quando assistidos em conjunto. O “Ato I” é apresentado aos sábados e acompanha os dois irmãos. O “Ato II”, aos domingos, traz o casal.



“A gente começou a trabalhar com espetáculos que investigam essa relação entre o eu e o outro, e as relações humanas no geral”, diz Lucas Rocha. No “Ato I”, os personagens partem da experiência de dois irmãos que tomaram caminhos diferentes: um deixou a cidade em busca de outras possibilidades, enquanto o outro permaneceu perto da família. A situação tem origem em uma experiência dos próprios artistas, mas ganha contornos de ficção durante o processo de criação.



"No primeiro ato já existia muito essa vontade da gente de tensionar uma relação real, que é essa relação de irmãos. Ela teve esse momento de um ir para o Rio de Janeiro, outro ficar na cidade natal e, a partir disso, a gente começou a explorar a ficção. Onde que isso poderia chegar?”, diz Lucas.



GENEALOGIA


“A gente trabalha bastante esse irmão que foi atrás dos seus sonhos, que bancou as suas escolhas, foi atrás do que queria, se movimentou, e esse irmão que fica. Esse irmão que banca estar na sua cidade natal, estar com a sua família, perpetuando aquilo que, de certa forma, é um caminho mais natural”, comenta.



É nesse ponto que a genealogia entra na história. “O que a nossa genealogia, o que vem antes de nós, imprime nessas relações? Entre os irmãos, o que a família coloca nessa relação e como a gente leva as coisas para a nossa geração? O que a gente deixa para trás, o que a gente perpetua?”, questiona o ator.



A segunda montagem acompanha o encontro de um casal e as tensões que aparecem quando os desejos individuais precisam dividir espaço com um projeto de vida a dois.



“Essa relação do casal é muito tensionada pelos sonhos de cada um. Como um desejo comum, que é o de um pelo outro, de ficar junto, é tensionado pelos desejos individuais? Os sonhos profissionais de cada um, as vontades de vida de cada um e como isso vai encontrando um caminho único ou não”, afirma Lucas.



É daí que surge uma das questões que aproximam os dois espetáculos: como ainda conviver e construir relações saudáveis, baseadas no diálogo e na presença. A montagem questiona se ainda é possível estar junto diante de tantas polaridades e conflitos nas relações.



No “Ato 1, um DJ fica em cena fazendo a mixagem das músicas ao vivo. No “Ato 2”, um artista visual realiza uma pintura durante a apresentação. “A gente pensou os dois atos como um díptico. Eles são independentes, têm começo, meio e fim, mas, quando você assiste aos dois, começa a perceber outras camadas, outras semelhanças entre essas relações”, aponta Lucas.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia



“EXPERIÊNCIA GENEALÓGICOS”
“Ato I”, neste sábado (10/10), às 20h, e “Ato II”, no domingo (11/10), às 19h, no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3.613, Horto). Ingressos a R$ 30 e R$ 15 (meia), à venda pelo Sympla. Apresentações também nos dias 17/10, 18/10, 23/10, 24/10, 31/10 e 1º/11.


compartilhe