Ao entrar em algum streaming e procurar por um título nacional, o mais provável é se deparar com o “gênero” “filme brasileiro”, o que subtrai da produção nacional sua grande diversidade, incrementada nas últimas décadas.
O ciclo “A Cinemateca é Brasileira: da comédia ao drama” que o Cine Humberto Mauro exibe a partir desta quarta-feira (30/9), ressalta a amplitude da cinematografia do país, com exemplos de comédia, terror, realismo fantástico e outros gêneros.
Esta é a terceira edição da mostra impulsionada pela Cinemateca Brasileira e que, em Belo Horizonte, encontra abrigo na sala do Palácio das Artes, com sessões gratuitas.
O primeiro ano da mostra, em 2023, destacou filmes que marcaram décadas. Em sua segunda edição, realizada entre 2024 e 2025, a democracia foi o foco central, com a temática “Resistências Cinematográficas” ditando a escolha dos filmes.
A nova edição propõe a perspectiva de gêneros, fugindo das abordagens concentradas em movimentos históricos (cinema novo, marginal, de retomada, etc.).
César Turim, gerente de difusão da Cinemateca Brasileira, observa que a divulgação de “cinema brasileiro” como um gênero não é algo novo, e a Cinemateca tenta quebrar esta visão através da mostra. “Tenho 44 anos e, já na minha época, quando a gente ia às locadoras, sempre os filmes eram divididos em gêneros e havia o ‘gênero’ cinema nacional”, diz.
SESSÕES DUPLAS
A programação em BH tem início com a exibição do curta documental “A entrevista”, de Helena Solberg, que antecede o longa “Últimas conversas”, trabalho final de um dos maiores documentaristas brasileiros, Eduardo Coutinho (1933-2014), concluído por João Moreira Salles. Com o intuito de valorizar diferentes produções, outras sessões serão duplas, com a exibição de um curta seguido de um longa do mesmo gênero.
“É um convite a rever o nosso cinema de outra forma. Ver como a comédia brasileira conversa com a italiana e a americana. Ver como o terror brasileiro tem bastante a ver com o americano, com o terror negro”, afirma César.
“Esse foi um modelo de programação do cinema brasileiro que era muito comum nos anos 1970 e 1980, durante a vigência da Lei do Curta [que estabelecia a exibição de curtas antes de longas no circuito comercial]”, afirma o curador. “Então, a gente remonta um pouco a essa nostalgia. Também é uma possibilidade para a curadoria articular um cinema comparado. Você assiste ao curta ‘Lé com cré’ e depois ‘O menino e o mundo’ e pode pensar em diferentes formas de se fazer animação”, afirma Vítor Miranda, curador do Cine Humberto Mauro. A sessão de animação será em 9/10, às 15h.
Nesta quinta-feira (2/10), o foco da programação são as comédias, com a exibição às 15h de “Candinho” (1954), que acompanha o protagonista e seu jumento em aventuras na cidade grande. Às 17h, o recente curta “Escasso” (2022) antecede o longa “Saneamento Básico” (2007), de Jorge Furtado.
No sábado, a ficção científica toma conta da telona. Às 17h, “Branco sai, preto fica”, de Adirley Queirós, é exibido junto ao curta “O pedestre”. Mais tarde, às 19h15, o longa “Abrigo nuclear”, de Roberto Farias, sobre sobreviventes da poluição radioativa que vivem em um abrigo subterrâneo sob um regime severo, encerra a programação do dia . “Usa bastante arquétipos do gênero de ficção científica que não estamos acostumados a ver, apenas no cinema estadunidense”, afirma César sobre o longa de Farias (1932-2018).
Nos próximos dias 7 e 8, ganha espaço o terror, gênero com fãs assíduos. “O terror tem uma independência própria, pensando no cinema contemporâneo, as pessoas vão assistir a filmes de terror apenas por ser terror”, observa Vítor Miranda.
Na quarta-feira (8/10), às 19h15, será exibido “O estranho mundo do Zé do Caixão”, clássico de José Mojica Marins. No dia seguinte, às 17h, haverá a sessão dupla de “Morto não fala”, de Dennison Ramalho, com o curta de Juliana Rojas “O duplo”, de 2012.
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A CINEMATECA É BRASILEIRA: DA COMÉDIA AO DRAMA”
Mostra de 21 títulos nacionais de diversos gêneros. No Cine Humberto Mauro (Av. Afonso Pena, 1.537 - Centro). Desta quarta (30/9) a 9 de outubro. Ingressos gratuitos, com 50% disponíveis para retirada no Sympla e 50% na bilheteria, uma hora antes da sessão. Programação completa em https://fcs.mg.gov.br.
