Aos 76 anos, Acir Antão carrega mais de seis décadas de história no rádio mineiro. Jornalista, radialista e, por acaso, cantor, ele acompanhou de perto personagens como Jânio Quadros e Tancredo Neves, cobriu a visita do papa João Paulo II ao Brasil e viu o rádio se transformar ao longo das décadas.
“Quando a televisão chegou, todo mundo disse que o rádio ia acabar. Não acabou. Agora, com essa modernização dos meios de comunicação, parecia que era o fim do rádio. Não, o rádio melhorou, passou a ser rádio e televisão”, diz.
Hoje, mantém dois programas na Rádio Itatiaia e ainda encontra espaço para novos projetos. Na entrevista ao programa “EM Minas”, exibido pela TV Alterosa em parceria com o jornal Estado de Minas e Portal UAI, ele fala sobre jornalismo, política, música e a paixão pelo rádio. A íntegra da entrevista está disponível no canal de Youtube do Portal Uai.
O senhor começou como jornalista esportivo…
Sim, eu tinha uns 16, 17 anos, quando fui trabalhar no departamento de esporte da Itatiaia, mas já tinha passado por outra emissora como locutor comercial, aos 15 anos. Quem me levou para o rádio foi Agnaldo Reis, um animador sertanejo. Eu lia os textos comerciais. Depois fui para a Rádio Itatiaia, departamento de jornalismo do esporte, em 1965. Voltei para a Itatiaia na década de 1970 como locutor noticiarista. Eu redigia notícias e lia o noticiário. Lançamos o Jornal da Itatiaia em 1974, e fui multiplicando as minhas ações como profissional.
O senhor acompanhou Jânio Quadros e também Tancredo Neves. Que história o senhor conta dessa época e desses políticos?
O Jânio se elegeu presidente com seis milhões de votos em 1960, tomou posse em 1961, com 40 e poucos anos. Os presidentes com 40 anos de idade não deram certo. Collor tinha isso também. Nós temos um candidato aí com 40 anos, que é o filho do Bolsonaro. Tenho muito medo dessa idade para ser presidente. O presidente tem que saber de economia, conhecer as relações políticas promocionais e ter uma base. Tem que ter certo amadurecimento. O Jânio Quadros foi péssimo. Era um doido que foi para a presidência da República mexer com rinha de galo e implicou com mulher de biquíni na praia. O governo dele não deu certo porque ele não tinha relações com o Congresso e quis dar um golpe. Mas o golpe não deu certo.
O senhor acha que a política e o jornalismo político mudaram?
Tudo mudou. Eu vejo, por exemplo, na Assembleia Legislativa, o estuário do jornalismo mineiro político era a sala de imprensa. Tudo acontecia na sala de imprensa da Assembleia Legislativa. Hoje a sala de imprensa fica fechada, ninguém vai lá dar entrevista. Até mesmo os políticos mudaram muito.
Qual foi a notícia mais difícil que o senhor já teve que dar?
A notícia mais difícil foi o atentado a tiro sofrido pelo Papa João Paulo II. Estive com ele no Brasil em 1980, andando com ele para todos os lados. Quando fui dar a notícia, eu me emocionei muito, chorei na hora, porque eu pensei daquela figura com quem eu andei.
O senhor tem um programa de segunda a sábado e outro no domingo, “A hora do coroa”...
Começou como brincadeira. Eu sempre fiz samba e choro no domingo de manhã, porque eu acho que o domingo de manhã tem uma característica assim de samba, choro, uma coisa diferente. No finalzinho do programa, eu dizia: "Agora é aquela hora que o coroa gosta, eu vou tocar um samba da antiga". Aí pegou o nome.
E de segunda a sexta o senhor está no rádio das 9h às 10h…
É com um programa de variedades. Antes tinha horóscopo, eu me imiscuía muito nos problemas políticos e etc. Mas aí eu fui ficando mais à margem dessas coisas. Estou fazendo um programa mais de entrevista com médico, advogado, essas coisas todas pela manhã.
Agora vamos falar do Acir cantor. O que que a música representa na sua vida?
Para mim é hobby, porque eu nunca quis ser cantor. Um dia, um compositor aqui de Belo Horizonte fez eu cantar um samba de carnaval. Isso foi em 1974, 1975. Depois, o Gervásio Horta fez um projeto aqui em Belo Horizonte para o centenário da cidade. Ele fez um choro que eu chamava o “Choro do centenário”. Ele me chamou e nós fizemos uma seleção de músicas que falavam da cidade. Eu não ia cantar, mas o patrocinador não pôde patrocinar e a gente decidiu fazer na cara e na coragem. Fui gravando até que fizemos um CD. Aí me tornei cantor assim, sem querer.
O senhor já se apresentou. Não foi sem querer…
Fiz algumas apresentações no Palácio das Artes. Um projeto sobre Lupicínio Rodrigues.
Lupicínio Rodrigues tem um tom meio sofrência, o que atualmente as pessoas chamam de dor de cotovelo.
Todo mundo sofre da dor de cotovelo, não é? Todo mundo teve um amor que não deu certo, um desamor, foi traído. Tem sempre alguma coisa.
O senhor ainda acha que o jornalismo do rádio é capaz de mudar a vida das pessoas?
Acho que ainda é, porque você pode carregar o rádio para onde quiser. Quando a televisão chegou, todo mundo disse que o rádio ia acabar. Não acabou. Agora, com essa modernização dos meios de comunicação, parecia que era o fim do rádio. Não, o rádio melhorou, passou a ser rádio e televisão.
Profissionalmente, o senhor tem algum projeto que quer realizar?
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Tenho muitos projetos. Enquanto a gente sonha, enquanto a gente tem projeto, a gente vive.
