Maria Beatriz Ramos de Vasconcellos Coelho, ou simplesmente Mana Coelho, foi uma das primeiras mulheres no fotojornalismo de Belo Horizonte. Natural de Recife (PE), ela chegou à capital mineira ainda criança, no início da década de 1960. Ao completar 19 anos, em 1976, entrou para o Jornal dos Bairros e, depois, seguiu para as sucursais do Jornal do Brasil e da revista IstoÉ.


“Estávamos no meio da ditadura, uma época com muita polícia, batalhão de choque e repressão”, diz. “Ao mesmo tempo, havia o ressurgimento do movimento popular e sindical, a luta contra a ditadura e contra o arrocho salarial”, acrescenta.


Parte do trabalho produzido por ela está na exposição “Mana Coelho: Fotopioneira”, que entra em cartaz no Museu Histórico Abílio Barreto a partir deste sábado (26/9). Com curadoria de Álvaro Sales, Ana Paula Portugal e da própria Mana Coelho, a mostra faz um recorte da realidade política, social e cultural de Belo Horizonte dos anos 1980. As obras pertencem ao acervo com cerca de 18 mil itens da fotojornalista que está sob responsabilidade do museu desde 2006.


São imagens de manifestações populares, políticos do momento, partidas de futebol e trabalhadores no seu dia a dia. “Quando olho hoje para esse material, vejo que a violência e a precariedade eram marcas muito fortes. E olha que estamos falando de 40, 50 anos [atrás]”, observa.


Mana Coelho trabalhou no período mais crítico da ditadura. Por diversas vezes, correu das bombas lançadas pela polícia. Certo dia, discutiu com um militar. “Vocês são uns porcarias! São pobres igual às pessoas em quem vocês estão jogando bomba”, disse ao policial. Em outra ocasião, viu um militar apontar a arma para sua cabeça e mandá-la correr

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PERIGO

Ainda que fosse uma das poucas mulheres no fotojornalismo, Mana Coelho não sofreu preconceito de gênero no trabalho – ao menos, não que ela se recorde. “O que eu sentia era certo preconceito do pessoal de Minas com uma pessoa nova fotografando”, afirma. “Talvez eles me enxergassem como um perigo, alguém que poderia pegar o lugar deles.”


Mana Coelho, contudo, percebia o companheirismo dos jornalistas de fora do estado. “O pessoal das sucursais – na época, tinha gente do Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e Veja – começou a me proteger. Eles faziam uma barreira, não deixavam ninguém me agredir. Porque, segundo eles, tinha gente querendo colocar durex na minha lente para me atrapalhar”, conta.


Até se aposentar, em 2017, Mana Coelho fez inúmeros registros. Entre eles, clássicos de Atlético e Cruzeiro, Tancredo Neves durante o movimento das Diretas Já! e shows de diferentes ícones da MPB, como Milton Nascimento. “É um trabalho superimportante para entender a Belo Horizonte das décadas de 1970 e 1980, porque essa fotojornalista mostrava o cotidiano da cidade”, diz Isabela Guerra, diretora de museus da Fundação Municipal de Cultura.


“Além disso, tem sempre esse olhar feminino para as questões cotidianas, com o qual ela constrói suas narrativas”, comenta a diretora. 

“MANA COELHO: FOTOPIONEIRA”

A partir deste sábado (26/9), às 10h, no Museu Histórico Abílio Barreto (Av. Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim). Visitas de quarta a domingo, das 10h às 18h. Entrada franca. Mais informações: (31) 3277-8573.

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