Quanto pior, melhor. Não há outra maneira de definir os Harrigans, que desde a estreia de “Terra da máfia”, um ano atrás, se tornaram nossos mafiosos favoritos. Nesta sexta (18/9), o Paramount+ lança a segunda temporada (a terceira já foi confirmada), com um episódio por semana.
Guy Ritchie novamente dirige o episódio inicial, que nos coloca, mais uma vez, no mundo dos tresloucados irlandeses que matam em quantidades colossais. A sequência de abertura é de tirar o fôlego. O casal à frente do clã, Conrad (Pierce Brosnan, apenas perfeito) e Maeve Harrigan (Helen Mirren, impagável com seu sotaque irlandês), chega a um hipódromo para uma corrida de cachorros.
O encontro planejado por Conrad com uma gangue turca não sai como planejado. Para não adiantar muito, dá para dizer que ele e Maeve resolvem a situação com o que fazem de melhor. São minutos frenéticos, com muito sangue, balas e piadas improváveis – algo em que Guy Ritchie é mestre.
Depois deste prelúdio, a trama começa com a terceira ponta desta história. Harry da Souza (Tom Hardy), o genial e gélido faz-tudo dos Harrigan, está em maus lençóis. O primeiro ano da série terminou com a mulher dele, Jan (Joanne Froggatt), enfiando um punhal no peito do marido – sem querer querendo, vamos e venhamos. Neste retorno, os dois se encontram com uma nova terapeuta de casais – e a situação não está nada boa para o casamento dos Souza.
Harry está dividido entre sua lealdade a Kevin (Paddy Considine) e Conrad. O primogênito de Maeve e Conrad está rompido com o pai e decidido a tomar as rédeas da organização. Harry se encontra neste fogo cruzado. Como o membro mais inteligente do grupo, que pensa na próxima jogada como um exímio enxadrista, ele já entendeu que os Harrigan têm que se mexer ou ficarão no passado.
A grande antagonista da família é Kat McAllister (Janet McTeer) que, além de comandar um grupo criminoso muito maior e mais rico do que os Harrigan, também é respeitada no mundo civil – ou seja, aquele longe da máfia. Para não sujar as próprias mãos, Kat vai contar com um aliado, novo personagem da história: Frankie Cooper (Johnny Flynn), que é apresentado no final do primeiro episódio.
Nova geração
Personagens recorrentes – Seraphina (Mandeep Dhillon), a filha bastarda do patriarca dos Harrigan; Eddie (Anson Boon), que descobriu que seu pai não é Kevin, mas seu avô Conrad; e Gina (Teddie Allen), a filha de Harry e Jan – retornam mostrando que a nova geração está indo além da anterior. Nenhum deles pretende, nem quer, manter fidelidade à família.
Ainda que trate de temas que já foram explorados à exaustão pela TV e pelo cinema, “Terra da máfia” é imperdível porque não se leva a sério. Revestida de drama, a saga dos Harrigan suscita gargalhadas graças ao elenco afiado.
Do alto de seus 81 anos, Helen Mirren despeja palavrões e impropérios que deixariam a nobreza britânica de cabelo em pé – em 2003 a atriz recebeu, da rainha Elizabeth II, o título de Dama da Ordem do Império Britânico. A química com Pierce Brosnan é latente. Já a frieza que Tom Hardy imprime às decisões de Harry acabam sendo também divertidas, só que de outra maneira.
É tudo muito exagerado – e essa é a maior crítica que pode ser feita à série. Mas “Terra da máfia” é tão imprevisível que nunca fica entediante. É divertimento de primeira, inteligente e banal em igual medida.
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“TERRA DA MÁFIA”
A segunda temporada, com 10 episódios, estreia nesta sexta (18/9), no Paramount+. Novos episódios às sextas
