Quatorze anos separam as duas turnês “Redescobrir”, de Maria Rita. Se a temporada inicial, em 2012, que gerou álbum ao vivo e DVD, foi dedicada a Elis Regina e seus fãs, desta vez o foco é ela mesma.
“Este show nasce de uma busca consciente pelo colo de minha mãe, num momento muito desafiador da minha vida. Respeitosamente, para com os fãs e para com ela, esse show é para mim”, afirma a cantora. “Redescobrir vol.2” será apresentado nesta sexta (18/9), no Arena Hall.
Com repertório extenso, de quase 30 canções, Maria Rita descortina a obra eternizada por Elis à sua maneira. “Cada música tem um colo, um abraço, uma bronca, uma lembrança, uma troca que eu só poderia ter com ela, e mais ninguém, já que somos, ambas, artistas, cantoras, mães, inteligentes, questionadoras, inquietas, apaixonadas… O desafio, neste caso, vem desse despir de emoções, e não necessariamente das harmonias, das melodias”, diz.
Na seleção, estão standards do repertório de Elis como “Corcovado” (Tom Jobim), “As aparências enganam” (Tunai e Sérgio Natureza) e “Maria Maria” (Milton Nascimento e Fernando Brant). Para além dos clássicos, a cantora incluiu “Jardins de infância” (João Bosco e Aldir Blanc) e “Zambi” (Edu Lobo e Vinicius de Moraes).
São poucas as canções que se repetem nos dois “Redescobrir” (além de tema, a canção de Gonzaguinha fechou a turnê original e abre a atual). Maria Rita está cantando novamente também “Agora tá” (outra da dupla Tunai e Sérgio Natureza), “Como nossos pais” (Belchior), “Essa mulher” (Joyce Moreno e Ana Terra), “Querelas do Brasil” (Maurício Tapajós e Aldir Blanc), “O bêbado e o equilibrista” (João Bosco e Aldir Blanc) e “Ladeira da Preguiça” (Gilberto Gil).
RESPONSABILIDADES
“Vol. 2” estreou em março, em Porto Alegre, cidade natal de Elis (1945-1982). Efetivamente, a turnê só começou no final de julho. Por ora, segue até dezembro, novamente no Rio Grande do Sul. Maria Rita diz que ainda é cedo para dizer o que esta temporada está representando. “Ainda não tenho como te dar uma resposta inteligente sobre isso por estarmos num ritmo mais calmo de apresentações. De certa forma, todo show é uma estreia e estou ainda muito concentrada nessa sensação e nas responsabilidades que isso traz.”
Ela se empolga mesmo é na novidade que está em cena. Primogênito da cantora, de seu casamento com o cineasta Marcus Baldini, Antônio, de 22 anos, está integrando a banda – toca violão e percussão. Em um dos momentos mais impactantes do show, ele a acompanha em “Corcovado”, que Elis gravou com Tom no antológico disco de 1974.
“Ter meu filho no palco comigo me dá uma sensação de gratidão muito real. Estar com ele nessa fase da vida, proporcionando essa oportunidade, percebê-lo homem cuidadoso, atencioso, talentoso, capaz, generoso me dá paz”, acrescenta Maria Rita, que é também mãe da adolescente Alice, de sua união com o guitarrista Davi Moraes.
Aos 49 anos, Maria Rita, a caçula de Elis, está atingindo os 25 de carreira. Foi lançada por Milton Nascimento, quando gravou com ele, no álbum “Pietà” (2002), “Tristesse” e “Voa, bicho” (ambas de Telo Borges, a primeira com o próprio Milton e a segunda com letra de Márcio Borges).
Em “Vol. 2”, além da supracitada “Maria Maria”, ela canta “Cais” (Milton e Ronaldo Bastos). “Amo o Milton de uma maneira, de uma força, de um tamanho desde criança. Não sei quanto disso tem de herança do amor que minha mãe sentia por ele, ou se é só a pessoa generosa, bonita, sensível, carinhosa que ele é — ou se é uma combinação de tanta coisa que guardo no peito por ele. Cantar o que for de Milton é, pra mim, um mergulho muito profundo.”
Maria Rita fala do impacto que sente quando interpreta “Maria Maria”, na parte final do show. “Virou uma oração pra mim, de certa forma. Eu nunca havia chorado cantando ela. Hoje em dia, não consigo me conter. Com tudo o que o Milton fez por mim e para mim, na minha vida inteira, não só como cantora, cantá-lo sempre me traz um tanto de colo.”
Colo, e a necessidade dele, têm sido um tema recorrente para Maria Rita. A cantora falou recentemente de um burnout que a tirou de cena por quase dois anos. A gota d’água ocorreu em 2024, quando o caminhão com todo o equipamento de seus shows foi roubado. Mesmo que tenha se recuperado, a cantora afirma que “Redescobrir vol.2” tem sido “um enorme desafio”.
“Estou reaprendendo muitas coisas sobre equilíbrio, sobre tempo, sobre limites, sobre o inegociável, sobre novos ‘nãos’. Estou aqui no avião, respondendo essas perguntas, com lágrimas escorrendo, porque reconhecer as dificuldades não é uma coisa fácil e é um tanto ou quanto exaustivo. Porém, mesmo com essas dificuldades e longa ausência, subir no palco e ser recebida por milhares de pessoas é, de fato, muito emocionante”, diz Maria Rita.
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MARIA RITA
Show nesta sexta (18/9), às 21h, no Arena Hall (Avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). Ingressos: de R$ 150 (meia arquibancada)a R$ 570 (inteira, cadeira segundo setor),à venda na bilheteria e no Sympla.
