“Morte e vida Madalena”, longa de Guto Parente, começa com uma morte e termina com um nascimento. Nos primeiros minutos do filme, um velório apresenta ao público um velho conhecido do cinema mineiro. No caixão está Gilmar, pai da protagonista Madalena (Noá Bonoba), interpretado pelo ator Carlos Francisco.


“Foi uma experiência claustrofóbica”, diz o ator. “É sempre um prazer integrar a equipe, mesmo que fazendo uma pequena participação simbólica.” Ele brinca que está, aos poucos, ganhando vida na obra de Guto. No primeiro filme que fizeram juntos, “Estranho caminho”, Carlos vive um fantasma. “Aos poucos, estou ganhando vida no processo criativo.” No próximo filme do diretor, “Futuro”, o mineiro interpretará um personagem que sai do coma.


“Eu o admiro muito como o grande ator que é, mas também como uma pessoa maravilhosa. É alguém que é uma presença no set”, afirma o diretor.


Depois da morte do pai, que era cineasta, Madalena fica encarregada de produzir um dos roteiros deixados por ele. Ela, porém, está grávida de oito meses e fez um combinado com o bebê: ele só nasceria quando o filme terminasse de ser rodado. “Vou fazer esse filme nem que seja o último filme que eu faça na vida”, diz a personagem.



COMÉDIA DRAMÁTICA



No primeiro dia de filmagens, o diretor, ex-marido de Madalena, foge. A partir daí, com o set desfalcado, o filme se transforma em uma comédia dramática em que a protagonista enfrenta um problema atrás do outro para manter a produção de pé e a equipe unida.


“Ela [Madalena] está vivendo um drama, mas as situações pelas quais ela passa são situações absurdas. Acho que é desse absurdo que veio o humor”, diz o diretor. Ele define seu longa como “uma carta de amor ao cinema independente”.


As filmagens duraram quatro semanas, no Ceará. O título remete a Morte e vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Guto conta que leu o livro e tem uma relação afetiva com a obra, mas diz que o nome do filme não surgiu diretamente da referência.


“Morte e vida Madalena” aproxima realidade, sonho, fantasia e delírio. Guto afirma ter interesse em tratar essas experiências não como elementos opostos ao real, mas como parte dele. A ideia, diz, é “borrar um pouco essa fronteira” entre aquilo que costuma ser entendido como realidade e as experiências subjetivas que também fazem parte dela.


Os bastidores da produção ganham espaço na história. O diretor destaca o interesse do público pelos bastidores e pelas curiosidades de uma produção. “Todo mundo gosta de cinema e gosta de ver bastidores e curiosidades. Espero que esse filme, mostrando esse set, também inspire outras pessoas a fazer filmes sobre o trabalho de fazer cinema”, afirma.



“MORTE E VIDA MADALENA”

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(BR, 2026, 85 minutos.) Direção: Guto Parente. Com Noá Bonoba, Carlos Francisco, Marcus Curvelo, Nataly Rocha e Tavinho Teixeira. Estreia nesta quinta-feira (17/9), no Cine Belas Artes e no Centro Cultural Unimed-BH Minas.


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