O Festival Acessa BH chega ao segundo final de semana com diversas performances no Centro Cultural Unimed-BH Minas. Para além dos arredores da Avenida do Contorno, na Região Centro-Sul de BH, artistas locais promovem a 11ª edição do Descontorno Cultural, demonstrando a diversidade de opções de lazer da capital mineira.
A programação descentralizada nas nove regionais da cidade conta com duas apresentações do Grupo Trampulim, que celebra 32 anos de circo, teatro e música. No sábado (12/9), às 16h, eles levam ao Centro Cultural Venda Nova, o espetáculo "Pratubatê”, que transforma o público em parte da percussão. Todos têm que entrar no ritmo da música.
“É nesse momento que a gente traz a narrativa de encontro e celebração. Nós
distribuímos até 650 tambores para o público construir conosco uma orquestra percussiva em 45 minutos. Vivemos a sensação de um só ser diante de um propósito”, explica Adriana Morales, diretora do projeto.
No dia do encerramento, domingo (13/9), às 12h, o grupo vai ao Centro Cultural Padre Eustáquio para a escolha dos artistas que terão a honra de se tornar “Bestas imortais”. O espetáculo “Academia Brasileira de Bestas” simula uma competição entre o Grupo Trampulim para que o público possa decidir quem entrará para o seleto grupo de artistas.
Já o Descontorno Cultura leva este ano 108 atrações para 10 centros culturais. No sábado (12/9), das 9h às 21h, a programação será nos centros culturais Usina de Cultura, Salgado Filho, São Geraldo, Venda Nova e Urucuia. Já no domingo (13/9), das 9h às 19h30, recebem as atividades os centros culturais: Vila Marçola, Padre Eustáquio, Pampulha, Jardim Guanabara e Vila Santa Rita.
Bárbara Bof, presidente da Fundação Municipal de Cultura – que realiza o Descontorno – aproveita o momento de celebração para destacar que essa é uma movimentação que acontece durante todo o ano e essa é apenas uma amostra disso. “Os centros culturais municipais são pontos de convergência das manifestações artísticas, das atividades que acontecem o ano inteiro, sete dias por semana, muitas vezes três turnos por dia, e com uma programação extensa”, explica. “É uma programação que reconhece a força da cultura em todos os territórios feita por todos os corpos.”.
Outros destaques da programação são a Batalha Rap Surdo, que propõe uma disputa de rimas em Libras, e a performance “Saudação à ancestralidade”, da artista Júnia Bertolino. Para o público infantil, a programação inclui o espetáculo “Brincadeiras sonoras”, musical interativo do artista Edu Pio.
Nesta edição, a mostra também disponibiliza vans para transportar o público entre os centros culturais que não têm programação e aqueles que integram o evento. As atividades incluem shows, saraus, oficinas, contação de histórias, artesanato, apresentações de dança, performances e teatro, todas com entrada gratuita.
DOSE DUPLA
Em uma semana que combina teatro e performance, o Festival Acessa traz dois espetáculos para o Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244 - Lourdes). Na sexta (11/9), às 20h, “Baixa sociedade”, protagonizada por Luiz Fernando Guimarães, discute até onde uma pessoa seria capaz de ir apenas pela ascensão social. A peça é um clássico de Juca de Oliveira e tem no elenco Débora Ozório, Paulo Mathias Jr. e Bruna Trindade.
O destaque do Acessa neste fim de semana acontece no sábado (12/9), às 20h, quando Benedita Casé Zerbini sobe ao palco para apresentar o espetáculo “Surda”. O texto de Julia Spadaccini, com direção de Debora Lamm, conta como a surdez pode impactar a vida familiar, afetiva e profissional de uma mulher.
Os ingressos de ambas as apresentações estão disponíveis pela plataforma Sympla com valores entre R$150 (Inteira - Plateia 1) e R$21,25 (Meia-entrada Unimed - Plateia 2).
Esse é o momento em que o festival mostra sua maior virtude: a acessibilidade dentro e fora dos palcos. “Benedita está em cena já com uma intérprete de libras. Não é um recurso acessório, que veio depois do espetáculo. Está integrado na dramaturgia”, explica Laís Vitral, curadora do festival.
O Acessa é considerado o maior festival voltado a cultura DEF (criada pelas próprias pessoas com deficiência) no Brasil, tem programações até 26 de setembro, incluindo espetáculos, performances, sessões de cinema comentadas, oficinas, rodas de conversa e lançamentos de livros.
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* Estagiário sob supervisão da editora Ellen Cristie.
