“Nobody cares” diz o chefão da máfia, Sonny, ao filho Calogero em “Desafio no Bronx” (1993), primeiro filme dirigido por Robert De Niro. Sonny ensina ao jovem herdeiro a depender de si mesmo e concentrar a atenção apenas nas pessoas que realmente importam. Afinal, “ninguém se importa (com eles)”.
O contexto da frase explica e, ao mesmo tempo, define o conceito do disco “Nobody cares”, de Evan Megaro e Izza, que assinam como duo Izza n’ Evan. Ao todo, o projeto reúne oito faixas inéditas, que transitam pelo pop alternativo, música erudita, indie pop, lo-fi, acid jazz e trip hop. O show de lançamento do álbum será neste domingo (13/9), às 19h, na Sala Juvenal Dias, do Palácio das Artes.
“Quando se é um artista independente e no início da carreira, é muito difícil incentivar o público a te ouvir, te aceitar, te considerar e valorizar”, diz Evan. “Eu e a Izza percebemos que o nosso público tem sido nossa família. Portanto, é eles que importam”, acrescenta o pianista.
Natural de Nova Jersey, nos EUA, Evan vive na capital mineira desde 2016, onde se apresenta diariamente em casas de show. Numa dessas apresentações, conheceu a cantora e compositora cearense Izza, que também criou morada em Belo Horizonte. Os dois compuseram juntos, mas as canções foram para a gaveta.
Com a cultura analógica voltando a ser motivo de interesse sobretudo dos mais jovens, Evan e Izza sentiram que era o momento de lançar as músicas engavetadas. “Temos a mesma afinidade pelo indie pop, synthpop, lo-fi, acid jazz e músicas das décadas de 1980 e 1990 em geral. Peguei as letras dela e fizemos o arranjo e harmonia, elaborando um alvo em conjunto”, afirma o pianista.
INFLUÊNCIAS
O duo já mandou para as plataformas os singles “If only” e “No lies”. São canções com pegada pop, dançante e melodia chiclete, descritas por Evan como músicas irmãs. Contudo, ao longo das demais faixas, a sonoridade muda. As composições assumem um aspecto melancólico, contando com elementos da psicodelia e do experimentalismo. É como se “Nobody cares” fosse uma mistura de The Cardigans, Jamiroquai, The Marías, Clube da Esquina e Jota Quest.
É um álbum conceitual, define o pianista. “A ordem das faixas e da orquestração foi planejada e pensada com muito cuidado. Apesar de todas essas referências, eu diria que o arranjo das músicas bebe mais da fonte da música erudita. Eu penso muito na hierarquia da sonoridade, na orquestração, nos times de orquestra e parâmetros secundários”, ressalta.
Em tempos de Inteligência Artificial estendendo seus tentáculos pela produção musical, Izza n’ Evan apostam na imperfeição humana, que transforma a música em espécie de elemento vivo e sensível. “Existe imperfeição até na busca pela perfeição”, diz Evan. “E é isso que eu valorizo. Acho muito melhor do que ter ‘respostas certas e perfeitas’”.
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SHOW DE LANÇAMENTO
Neste domingo (13/9), às 19h, na Sala Juvenal Dias, do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos à venda por R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) na bilheteria ou pelo Sympla.
