Na sala de ensaios da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, no Palácio das Artes, o espaço é ocupado por um grupo de nove pessoas. À frente, Regina Advento explica como vai se dar a movimentação. Os demais devem acompanhar os movimentos de Marly Montoni, a soprano paulista que interpreta o papel-título da ópera “Chica da Silva”.
Esta é a cena final da ópera criada por Guilherme Bernstein. Em cena, só mulheres: além da protagonista, estarão cinco solistas e duas bailarinas. O libreto da montagem, assinado por Marcos Bernstein e Flávia Bessone, busca se afastar da figura mítica e se aproximar da personagem apresentada pela historiadora Júnia Furtado no livro “Chica da Silva e o contratador dos diamantes – O outro lado do mito” (2003).
Regina chegou a Belo Horizonte para fazer as coreografias que a Cia de Dança Palácio das Artes vai apresentar na ópera. Mas já vinha trabalhando desde o início do ano remotamente, na Alemanha, onde vive. Como também está atuando na movimentação dos cantores líricos, trabalhou bastante ao lado da diretora cênica Julianna Santos.
“Chica da Silva” vai começar com uma coreografia de nove minutos em que os bailarinos, ao lado do Coral Lírico de Minas Gerais, vão apresentar uma dança criada a partir de vissungos, que são os cantos das pessoas escravizadas.
“Ouvi muito a música e fiquei tentando encontrar as imagens. Uma coisa que não queria fazer era usar material cênico. Então, toda a coreografia é feita com tudo na mão. Pega uma bateia, lava a roupa, é tudo na mão mesmo”, conta Regina.
RODA DE SAMBA
Ela previu fechar a primeira coreografia na primeira semana de trabalho em BH. Só que, no quinto dia, já havia terminado, então deu início a um processo de colaboração com os bailarinos. “No laboratório, usei uma técnica da dançaterapia para busca de movimento. Depois vi que parecia uma roda de samba, já que fizemos um círculo e cada um foi para o meio para uma movimentação espontânea.” Desse encontro saiu outra coreografia, que será apresentada no terceiro ato.
Ainda que “Chica da Silva” seja o primeiro trabalho de Regina com ópera, a música está presente na trajetória dela desde sempre. Bem jovem, integrou, em Belo Horizonte, o Coral Sesiminas. Na Alemanha, onde vive desde os 24 anos, Regina continuou cantando. “Quando minha filha (Jasmin, hoje com 28 anos) era bem pequena, tive o primeiro convite para participar de uma banda.”
Regina chegou a cantar no teatro da ópera fazendo uma viagem musical dentro do repertório dos espetáculos de Pina Bausch. Na época, cantou em japonês, inglês, francês, espanhol e alemão. Longe da dança, continua subindo ao palco, mas exclusivamente para cantar. Mantém, com um pianista, um projeto só de jazz brasileiro.
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“CHICA DA SILVA”
Ópera em introdução e 4 quadros, de Guilherme Bernstein. Estreia sábado (12/9), às 19h, na Praça Dr. Prado (Cavalhada), no Centro de Diamantina. Entrada franca. Em Belo Horizonte, as récitas serão sábado (19/9), às 19h, segunda (21/9) e quarta (23/9), às 20h, no Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia). À venda na bilheteria e no Sympla.
