A nova geração da dramaturgia de Belo Horizonte ganha espaço nas páginas de um livro. “Convocatória jovens dramaturgias” (Editora Javali) reúne oito textos inéditos escritos por autores entre 15 e 21 anos e marca a conclusão da primeira edição do projeto idealizado por Jean Gorziza.



Nesta terça-feira ( 1º/9), o grupo se reúne para um evento de lançamento no Centro Cultural Vila Santa Rita. Participam do livro Ana Clara Pontello, Bê Luiz, Bia Dutra, Irupê Vieira, Jhonatan Cândido, Kauan John, Manô Barbosa e Will Valente. Os textos partem, em grande medida, das experiências e inquietações próprias da juventude.



A proposta nasceu da percepção de Jean Gorziza sobre uma lacuna na produção dramatúrgica destinada ao público jovem. “Ao publicarmos este livro, reivindicamos a ideia de que essa geração não é o futuro da dramaturgia, mas o presente”, afirma ele.



“Buscamos valorizar o olhar de quem está em seu primeiro contato com a escrita dramatúrgica ou em estágios iniciais de produção. Essa oxigenação é essencial para renovar o pensamento cênico e fomentar o diálogo intergeracional”, afirma.



Jean Gorziza começou a fazer teatro aos 15 anos, em 2019, quando fundou um grupo em Porto Alegre, sua cidade natal, ao lado de dois colegas. Em 2023, mudou-se para Belo Horizonte para cursar graduação na UFMG.



Ainda adolescente, enfrentou dificuldades para viabilizar o grupo, principalmente por questões burocráticas relacionadas ao acesso a espaços de ensaio e apresentação. Como nenhum dos integrantes era maior de idade, havia entraves para a assinatura dos documentos necessários.



A defesa de um teatro feito por e para jovens tornou-se uma das bandeiras do Grupo Prisma, que Jean fundou na época. Já em Belo Horizonte, ele percebeu novamente a existência de uma demanda que nem sempre encontrava espaço para ser atendida.



“Notei, ao ingressar na universidade, que os jovens possuem um desejo latente de expressão e muitos temas pertinentes à sua faixa etária, mas, frequentemente, não encontram ambientes que oxigenem e viabilizem a execução dessas ideias”, diz.



Para ele, a ausência desses espaços representa uma perda para a produção teatral. “Há anseios e percepções sobre o despertar do ser político e coletivo, típicos da juventude, que precisam ser retratados naquele momento específico da vida”, avalia.



FORMAÇÃO


A partir dessa experiência, Jean se reuniu com João Santos e Raysner de Paula, que passaram a integrar a coordenação do projeto. Raysner, professor e dramaturgo, também foi responsável pela oficina que deu origem à iniciativa. A ideia era criar um espaço de formação e viabilização da escrita, aproximando jovens autores de dramaturgos com trajetória consolidada na cena de Belo Horizonte.



O projeto começou em julho de 2025, com uma oficina introdutória de escrita dramatúrgica realizada no CRJ e ministrada por Raysner de Paula. A atividade contou inicialmente com aproximadamente 30 participantes e integrou o processo de seleção dos oito jovens que seguiriam para a etapa principal.



O grupo participou de oficinas, encontros coletivos, mentorias individuais e conversas com artistas da capital mineira. Ao longo dos meses, os autores desenvolveram suas primeiras dramaturgias. A dedicação dos participantes foi um dos aspectos mais marcantes da experiência, avalia Jean.



“Ver tamanha disposição reafirmou o interesse genuíno da juventude pelo fazer teatral e seu engajamento com as questões contemporâneas, que se refletem de forma clara em suas escritas”, afirma.



O resultado, segundo ele, também revela a diversidade da produção dramatúrgica contemporânea em Belo Horizonte. “Os textos que compõem este projeto oferecem uma amostra plural e instigante de formatos, temáticas e métodos dramatúrgicos desenvolvidos na cidade”, comenta.



“Como alguém de fora, percebo Belo Horizonte como um polo criativo de dramaturgia autoral e criação coletiva, onde novas formas de pensar o teatro são gestadas de maneira pioneira, exercendo uma influência significativa sobre a cena contemporânea de outras regiões do país”, afirma.



Além do livro, o Jovens Dramaturgias terá uma série de oito episódios de podcast, disponibilizados gratuitamente em plataformas digitais como Spotify e YouTube. Os programas apresentam os bastidores da criação das peças, discutem métodos de escrita dramatúrgica, abordam os processos de pesquisa dos autores e incluem leituras dos textos publicados.



O lançamento do livro encerra a primeira edição do projeto, mas também representa, para Jean, a possibilidade de abrir novos caminhos para jovens interessados em escrever para o teatro.



PRÊMIO DE DRAMATURGIA


Estão abertas até o próximo dia 20 de setembro as inscrições para o Prêmio Feluma/AML de Textos Teatrais, que vai selecionar três textos de dramaturgia de autores mineiros. As obras vencedoras serão reunidas em um livro, com lançamento previsto para dezembro. O primeiro colocado receberá R$ 5 mil. Os textos devem ser inéditos, escritos em língua portuguesa e não podem ser adaptações de outras obras ou ter sido gerados ou elaborados por sistemas de inteligência artificial. As inscrições são feitas no site da Academia Mineira de Letras, onde também estão disponíveis o regulamento e o formulário de participação.

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“CONVOCATÓRIA JOVENS DRAMATURGIAS”
• Livro organizado por Jean Gorziza, João Santose Raysner de Paula
• Com textos de Ana Clara Pontello, Bê Luiz, Bia Dutra, Irupê Vieira, Jhonatan Cândido, Kauan John, Manô Barbosa, Will Valente
• Editora Javali
• 304 páginas
• R$ 35


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