Morreu nesta terça-feira (25/8), aos 80 anos, a cantora americana Dolly Parton, em Nashville, no Tennessee, nos Estados Unidos. Ícone da música country norte-americana, gravou sucessos como “Jolene”, “I will always love you” e “9 to 5”. A informação foi confirmada pelo sobrinho da artista, Brian Seaver através de vídeo publicado no Instagram. A causa da morte não foi divulgada.

Segundo informações do site TMZ, a cantora enfrentava problemas de saúde nos últimos meses e chegou a adiar seis shows de sua residência em Las Vegas, em setembro de 2025. No início deste mês, também cancelou outra apresentação. 

De acordo com o sobrinho Brian, Dolly pediu há anos atrás que o anúncio de sua morte fosse feito por ele. Ela não teve filhos e foi casada por quase 60 anos com Carl Thomas Dean, que morreu em 3 de março de 2025, aos 82 anos. "É uma honra, uma honra que se mistura com absoluto orgulho e grande tristeza. Mas a tristeza está conosco, não com Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, certamente recebida por Carl [Thomas Dean, de quem era viúva], seus pais e inúmeras outras pessoas que a observaram e ansiaram por encontrá-la nos céus."

Parton foi atriz, empresária e filantropa. Era uma rara unanimidade num país dividido culturalmente, celebrada como ícone da comunidade gay e também da classe trabalhadora do sul do país, onde nasceu. Colecionou 11 estatuetas do Grammy, incluindo um pelo conjunto da obra, além de indicações ao Oscar, Emmy e Tony. 

Madrinha da cantora Miley Cyrus, afirmou ter composto ao menos 3 mil músicas em sua carreira. "No final das contas, espero ser lembrada como uma boa compositora", escreveu Parton no seu livro "Songteller: My life in lyrics" (ed. Chronicle Books, 2020).

A compositora foi além do country e conquistou fãs de diversos estilos e gerações, entre eles famosos como Johny Cash, Elton John, Cher e Taylor Swift. "Dolly é uma força de evolução e transformação em nossa indústria, mas ela faz isso com uma leveza tão divertida que quase parece sem esforço", disse Swift numa entrevista à "Hollywood Reporter" em 2023.

"Seu senso de humor e jeito brincalhão são facilmente minhas coisas favoritas nela porque força o mundo a aceitar que uma mulher pode ser uma artista e escritora séria que também se diverte absurdamente com isso."

Conhecida pelos figurinos exuberantes, tinha humor auto-depreciativo e brincava que era "preciso muito dinheiro para parecer assim cafona." Também falava com sinceridade de seus tratamentos estéticos, cunhando a frase: "Se eu vejo algo caindo, balançando ou arrastando, mando dar uma ajeitada, puxada ou sugada."

Parte de uma geração de comentaristas machistas, ela não perdia o rebolado quando falavam de suas curvas acentuadas, em especial os seios. Disse num programa de TV que, quando resolveu queimar seu sutiã, os bombeiros levaram três dias para apagar as chamas. Nascida nas montanhas do Tennessee, região sudeste dos EUA, Parton nunca esqueceu suas origens e realizou diversos projetos no estado. Ela contava que havia nascido na pobreza, numa cabana pequena às margens de um rio que dividia com os pais e onze irmãos.

Foi também no Tennessee onde iniciou seu projeto filantrópico mais famoso, o Imagination Library, que já deu mais de 200 milhões de livros gratuitos a crianças dos EUA e outros países. O projeto, inspirado pelo analfabetismo do pai, lhe rendeu o apelido de "moça dos livros", do qual o pai tinha mais orgulho do que sua carreira musical.

Na música, começou ainda criança, quando cantava na igreja pentecostal do avô. Aos 13 anos, gravou sua primeira canção e participou do programa de rádio Grand Ole Opry, sendo apresentada por Johnny Cash. Décadas mais tarde, ela revelaria ter sido ele seu primeiro "crush".

Quando terminou o colégio, em 1964, mudou-se para Nashville, considerada a capital da música country, onde se firmou como compositora. A fama como cantora veio em 1967 com a parceria com cantor country Porter Wagoner, que a convidou para fazer parte de seu programa de TV.

Os dois também gravaram uma série de duetos populares, como "The last thing on my mind" e "Please don't stop loving me". O fim da parceria profissional inspirou Parton a escrever "I will always love you" (1974), seu maior sucesso comercial e internacional ao ser gravado por Houston nos anos 1990.

Depois da separação de Wagoner, veio seu primeiro álbum a vender mais de 1 milhão de cópias, "Here you come again", de 1977. O disco foi uma tentativa de fazer um country mais pop e levou Parton ao topo das paradas country. Os anos 1980 trouxeram mais conquistas. Parton lançou o disco "Trio", em parceria com Emmylou Harris e Linda Ronstadt, e escreveu a canção "9 to 5", do filme "Como eliminar seu chefe" (1980), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

Nas últimas décadas, Parton conquistou novas gerações de fãs com uma presença marcante nas redes sociais, impulsionada pelo ativismo solidário e filmes na Netflix. O site de streaming lançou o documentário "Here I am", o seriado "Dolly Parton's heartstrings", sobre as histórias e inspirações por trás de suas canções, e um especial de Natal que ganhou um Emmy em 2021.

Entre inúmeros prêmios e celebrações, foi incluída no Hall da Fama do Rock and Roll em 2022, um convite que inicialmente rejeitou. No ano seguinte, lançou seu primeiro álbum de rock, "Rockstar", com colaborações de Paul McCartney, Sting, Elton John, Artimus Pyle, Sheryl Crow, Pink e Miley Cyrus.

Em junho de 2024, anunciou um musical autobiográfico chamado "Hello, I'm Dolly", escrito por ela e Maria S. Schlatter. A produção foi apresentada em setembro do ano passado, em Nashville, e estava prevista para chegar à Broadway no final deste ano.

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*Com FolhaPress

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