Novos álbuns de Fabinho do Terreiro e do grupo Varanda, de Juiz de Fora, bem como singles da banda Pelos (BH), da Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário Efigênia (Ouro Preto) e dos artistas solo Ezkiel (Itabirito), Letícia Leal (Teófilo Otoni) e Deh Muss (BH) chegaram às plataformas digitais na última sexta-feira (14/8), marcando a criação do Selo Sesc Minas Musical.



O lançamento oficial do selo ocorrerá durante a Virada Cultural de BH, nos próximos dias 29 e 30, com shows dos nomes selecionados agrupados no Palco Sesc.



Minas Gerais é o terceiro estado a ganhar um selo bancado pelo Sesc, que já atua na produção fonográfica em São Paulo há mais de 20 anos e há três está presente também em Pernambuco. A gerente de Cultura do Sesc em Minas, Manuella Abdanur, idealizadora do projeto juntamente com Nadim Donato, presidente do Sistema Fecomércio-MG, destaca que a instituição sempre teve um investimento grande na linguagem musical e, com o Selo Sesc Minas, pretende ampliar seu raio de ação.



Ela cita a Orquestra Jovem Sesc, com mais de 10 anos de atividades; os cursos livres de música, em várias modalidades; e a realização de shows de vários portes. “Sentimos a necessidade de atuar mais no fomento. O que acontece é que neste cenário em que a música se tornou amplamente digitalizada, impulsionada pelo mérito de plataforma, percebemos a necessidade do apoio à criação, produção e difusão de trabalhos de artistas que transitam pela seara independente e autoral”, afirma.



Os sete primeiros artistas do Selo Sesc Minas Musical foram selecionados por um grupo curatorial formado por Barral Lima, Bia Nogueira e Carol de Amar, profissionais com atuação destacada no mercado fonográfico e ampla conexão com a cena local.



O processo contou, ainda, com a participação da equipe da Gerência de Cultura do Sesc em Minas, representada por Carol Fescina, Roger Deff e Débora Silva.



IDENTIDADE


Manuella Abdanur destaca que o Selo Sesc atua em várias frentes no processo de lançamento de trabalhos dos artistas selecionados, dando suporte do início ao fim.



Cada um escolhe o produtor com quem quer trabalhar e o estúdio onde gravar, de forma a poder manter sua identidade, conforme explica. O Selo Sesc financia a gravação.



“Além desse fomento, o artista tem a possibilidade de contratar o designer para a identidade visual e recebe um acompanhamento de formação e mentoria, porque percebemos que vários deles ainda não entendem como funcionam as coisas no mercado. O Selo não é um gestor de carreira, mas também cuida da distribuição e da divulgação”, diz.



Ela salienta, ainda, que é oferecida aos artistas a possibilidade de circulação pelas programações de música do Sesc em unidades de outros estados. Na Virada Cultural, o Palco Sesc Selo Minas Musical vai contar, além dos artistas selecionados, com um nome convidado de São Paulo e um de Pernambuco.



Integrante da equipe de curadores, a diretora artística e empresária do setor cultural Carol de Amar diz que, neste momento inaugural, o objetivo foi fazer um retrato honesto do que Minas produz em termos musicais.



Nesse retrato, ela diz, tem que caber diversidade de gêneros, gerações e territórios. “É também necessário um olhar atento. Temos o disco do Fabinho do Terreiro como um dos principais projetos. É um artista com 40 anos de carreira, que passou a vida inteira escrevendo músicas que o Brasil inteiro canta e que ainda não tinha um álbum próprio lançado, um trabalho bem cuidado. A ideia é revelar talentos e também dar destaque para quem já está na estrada há mais tempo e ainda carece de maior reconhecimento”, diz.



Conforme ela diz, “a partir de 2018, com as mudanças do mercado, tivemos o desenvolvimento de um ecossistema de profissionais da música, com artistas como Lagum, Djonga, Marina Sena, FBC e MC Rick ascendendo nacionalmente, mas ainda faltam iniciativas para dar sustentabilidade real à cena. Acho que o Selo Sesc chega com essa proposta”.



PALCO NA VIRADA


O Palco Selo Sesc Minas Musical integra a programação da 11ª Virada Cultural de Belo Horizonte, nos próximos dias 29 e 30 de agosto. Instalado em frente ao Sesc Centro de Atendimento ao Turista (CAT) – Mercado das Flores, no cruzamento da Rua da Bahia com a Avenida Afonso Pena, o espaço reúne artistas e grupos selecionados na primeira edição do projeto, além de atrações dos Selos Sesc de São Paulo e Pernambuco. A programação inclui Deh Muss, EZKIEL, Rashid, Pelos e Varanda no sábado (29/8). No domingo (30/8), se apresentam a Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia de Ouro Preto, o Samba de Coco Trupé de Arcoverde, Letícia Leal e Fabinho do Terreiro.



ARTISTAS DO SELO



Confira os primeiros integrantes da iniciativa


• Fabinho do Terreiro: um dos mais importantes compositores do samba mineiro, tem músicas gravadas por nomes como Zeca Pagodinho, Neguinho da Beija-Flor, Agepê, Gracia do Salgueiro e Nelson Rufino.



• Varanda: a banda de Juiz de Fora aposta em uma sonoridade que transita pelo indie pop, aliada a letras marcadas por humor e otimismo. O grupo representa a renovação do rock mineiro e a conexão com o público jovem.



• Ezkiel: vencedor do Festival da Música de Itabirito 2025, o artista combina rap, afrobeat, samba, reggae e outras influências da música negra em trabalhos que dialogam com referências regionais e contemporâneas.



• Letícia Leal: violeira, cantora e compositora, desenvolve uma pesquisa musical que aproxima a viola caipira da música instrumental, do pop e da MPB.



• Deh Muss: cantora, compositora e produtora, suas músicas unem elementos acústicos e experimentações eletrônicas em canções que abordam temas ligados ao autoconhecimento e à transformação.



• Pelos: criada em 1999 no Aglomerado da Serra, a banda é referência do rock mineiro. Sua obra incorpora influências de soul, funk, jazz e blues, além de reforçar pautas ligadas à representatividade negra e periférica.

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• Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário Efigênia de Ouro Preto: grupo tradicional da cidade histórica mineira, preserva manifestações afro-brasileiras ligadas às festividades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.


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