O que a figura de um monstro pode revelar sobre o mundo? É a partir dessa indagação que o Cine Humberto Mauro apresenta a mostra “Monstros da modernidade”, que começa nesta terça-feira (18/8) e segue até 17 de setembro. Com mais de 30 filmes, a programação reúne clássicos da ficção científica, terror e fantasia para investigar as relações entre figuras monstruosas e os conflitos de seu tempo. Toda a programação é gratuita.



“Na ficção especulativa do cinema, o monstro nunca é só uma criatura assustadora. Ele também carrega uma carga alegórica. É uma forma de representar medos, conflitos e contradições da sociedade”, afirma o produtor de programação Rodrigo Azevedo.



“King Kong”, por exemplo, permite discutir a exploração da natureza. “A mosca” aborda questões relacionadas ao corpo e à transformação. Já “Godzilla”, um dos filmes da abertura, trabalha os impactos da guerra sobre o planeta. “É impressionante como alguns desses filmes são quase atemporais. Essas discussões ficam voltando à tona”, aponta Rodrigo.



A mostra chega na sequência da programação dedicada ao cineasta japonês Akira Kurosawa (1910-1998), que levou 30 filmes do diretor ao público do Cine Humberto Mauro. Nesta terça-feira (18/8), serão exibidos “Frankenstein”, de James Whale, às 16h; “King Kong”, de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, às 17h30; e o já citado “Godzilla”, de Ishir? Honda, às 19h30.



Uma das atrações mais populares do cinema, a sessão da meia-noite também ganha espaço dentro da mostra. “A sessão da meia-noite acabou se tornando uma espécie de evento à parte da programação do Cine Humberto Mauro. É um evento muito querido pelo público e são filmes que buscam trazer obras que, de certa forma, tratam de figuras ou gêneros marginalizados. Acho que isso se encaixa muito bem nessa programação”, comenta Rodrigo.



O longa “Mangue negro”, de Rodrigo Aragão, será exibido na madrugada entre 28 e 29 de agosto. Em setembro, entre os dias 11 e 12, será a vez de “Tetsuo: o homem de ferro”, de Shin'ya Tsukamoto.



A programação também inclui “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho. A presença do longa na mostra surgiu de uma oportunidade de exibição do filme em película 35mm pela primeira vez em Belo Horizonte.



O título que representou o Brasil no Oscar deste ano, disputando quatro estatuetas, será exibido em sessão especial comentada pelo professor e crítico de cinema Fábio Feldman, nesta quinta-feira (20/8), às 18h30. A versão em película do longa estreou no Brasil em março deste ano, a primeira exibição ocorreu em São Paulo. Outra cópia circulou simultaneamente por Recife, cidade que serve de principal cenário para a obra. As duas cópias especiais foram importadas de Londres.



Diferentemente da projeção digital, feita por meio de arquivos DCP, a película utiliza um projetor analógico que passa os fotogramas diante da luz e reproduz o som por meio da própria faixa sonora do filme. Kleber Mendonça Filho, diretor do longa, disse que assistir à obra nesse formato proporciona “uma nova maneira de ver o filme”.



Segundo Rodrigo Azevedo, “O agente secreto” dialoga com uma característica comum dos filmes de monstros: a necessidade de enfrentar uma ameaça mais forte sem partir para o confronto físico.



FILME DE MONSTRO


“Em geral, o filme de monstro cria um antagonista que os protagonistas precisam dar um jeito de enfrentar sem ser pela força física ou pela brutalidade. As pessoas precisam ser mais espertas, precisam encontrar outros jeitos para enfrentar essas figuras, porque, em geral, elas são mais fortes”, diz.



“A vilania que está por trás do filme representa uma espécie de monstruosidade muito típica, muito peculiar, e que foi muito marcante para a nossa própria história”, observa o programador.



Destaque da programação são as sessões comentadas. Ao longo da mostra, serão cinco, entre elas “Os pássaros”, de Alfred Hitchcock e “O homem elefante”, de David Lynch. Na faixa “Cinema e Psicanálise”, “O homem urso”, de Werner Herzog, será discutido pela psicanalista Yolanda Vilela.



“São filmes que geram muita discussão. É um modo que a gente tem de expandir a experiência de fruição para o lado da reflexão do cinema. Não é só uma palestra fechada. A participação do público também é muito importante”, diz Rodrigo.



Entre uma mostra e outra, a equipe do Cine Humberto Mauro tenta desenhar o perfil do público que frequenta as sessões. “É muito difícil tentar descobrir qual seria o público-alvo para criar uma programação mais específica”, admite o programador. Segundo ele, o público vai desde pessoas que estão passando pelo local até estudantes e pesquisadores de cinema.

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MONSTROS DA MODERNIDADE
No Cine Humberto Mauro, do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Desta terça-feira (18/8) até 17 de setembro. Entrada franca. Ingressos disponíveis no Sympla (a partir das 12h do dia de cada sessão) e na bilheteria (uma hora antes da exibição). Programação completa no site da Fundação Clóvis Salgado.


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