Na física, um atalho hipotético no espaço-tempo capaz de ligar duas regiões muito distantes do universo é chamado de Teoria do Buraco de Minhoca. Parece difícil de entender, mas o cineasta David Robert Mitchell (“Corrente do mal”, “O mistério de Silver Lake”) conseguiu elucidar a teoria com certa facilidade no longa “O fim da rua”, que estreia nesta quinta (13/8).
Estrelado por Anne Hathaway e Ewan McGregor, o filme parte desse deslocamento espaço-temporal. Ambientado nos anos 1980, ele investiga as consequências de um fenômeno cósmico misterioso responsável por transportar um bairro inteiro de Detroit (EUA) para a Era Mesozoica.
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De uma hora para a outra, a vizinhança passa a conviver com braquiossauros, velociraptors, estegossauros e tiranossauros rex. Mais que dividir o mesmo espaço, é preciso sobreviver aos ataques dos animais. Não existe mais energia elétrica, e o cenário para além do bairro é de árvores gigantescas, com folhas duras e compridas.
Toda essa confusão começa quando uma planta extinta há 2 milhões de anos aparece inexplicavelmente na casa da vizinha de Denise Platt (Anne Hathaway). Aspirante a escritora em crise no casamento com Greg (Ewan McGregor), Denise encontrou nessa vizinha a leitora ideal para seus originais.
Greg não sabe da ocupação da esposa. Está mais preocupado com o trabalho de entregador, de onde vem a renda para sustentar a mulher e os filhos Audrey (Maisy Stella) e Brian (Christian Convery). Com o marido fora e as crianças na escola, Denise dá início à busca de informações sobre a planta misteriosa.
Mas, antes de encontrar qualquer material, é levada para o período jurássico. O foco da família passa a ser, então, manter-se unida e tentar encontrar alguma forma de voltar para os anos 1980.
Ainda que transite pelo território amplamente explorado por Steven Spielberg, “O fim da rua” subverte a lógica da franquia “Jurassic Park”. As pessoas não vão por vontade própria ao habitat dos dinossauros, e sim o contrário. As criaturas passam a fazer parte da rotina do bairro.
David Robert Mitchell também acena para outra produção clássica, o seriado “Além da imaginação” (1959), ao fazer com que pessoas comuns, vivendo uma vida banal sejam bruscamente submetidas a uma situação que não conseguem compreender.
O roteiro se empenha em deixar evidentes os problemas familiares. A catástrofe vivida pelos Platt não necessariamente cria esses problemas, mas tira a possibilidade de continuarem fingindo que não existem. “O fim da rua” se torna, assim, menos um filme sobre como escapar dos dinossauros e mais sobre como uma família reage quando tudo o que dá sentido à existência desaparece.
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“O FIM DA RUA”
(EUA, 2026, 100 min.) Direção: David Robert Mitchell. Com Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella e Christian Convery. Classificação: 14 anos. Estreia nesta quinta (13/8), em salas dos shoppings BH, Big, Boulevard, Cidade, Contagem, Del Rey, Diamond, Estação, Itaú Power, Minas, Monte Carmo, Norte, Paragem, Pátio, Ponteio e Via; no Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cine Belas Artes.
