O cinema adora Robin Hood. Há um século o fora-da-lei inglês vem ganhando leituras diversas, sempre com grandes nomes a interpretá-lo. Douglas Fairbanks nos anos 1920, na era do cinema silencioso; Errol Flynn no final da década de 1930; Sean Connery, com um personagem mais maduro, em meados dos anos 1970; Kevin Costner 20 anos depois; e Russel Crowe já neste milênio.
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Hugh Jackman é a bola da vez, em filme cujo título já entrega o que vai acontecer. Com estreia nesta quinta-feira (13/8) nos cinemas, “A morte de Robin Hood” é, certamente, a visão menos romantizada e mais sombria da figura folclórica originária do século 12.
Robin Hood vai morrer – este, inclusive, é seu único desejo. Terceiro longa de Michael Sarnoski (“Um lugar silencioso: Dia um”; “Pig: A vingança”), o filme ratifica o tempo inteiro que a figura do herói que rouba dos ricos para ajudar os pobres é algo absolutamente falacioso. Na trama, Robin é um homem cruel, que mata qualquer um que entra em seu caminho. Quer assumir a responsabilidade por seu passado.
Nesta versão revisionista, Robin é apresentado por um Hugh Jackman muito envelhecido, de longos cabelos e barba brancos – não muito diferente do Logan que o ator australiano apresentou no filme de quase uma década atrás.
Na sequência inicial, o encontramos vivendo sozinho em meio a montanhas dominadas pelos ventos. O cenário é espetacular. O filme foi rodado na Irlanda do Norte, com locações de encher os olhos, que vão se intensificar na tela grande. É lindo, mas solitário, frio e desconcertante, quanto mais acompanhado por uma trilha sonora do folclore irlandês. Este é também o estado de espírito do protagonista. Robin espera ser julgado por seus incontáveis crimes. O filme carrega nos climas para dar conta de todo o peso do personagem.
Acerto de contas
Uma figura azarada que cruza seu caminho ouve dele que todo e qualquer romantismo em torno de Robin Hood não passa de uma série de inverdades – inclusive o grande amor por Lady Marian. Não demora para que um derramamento de sangue daqueles comprove tudo o que o personagem pensa de si mesmo. Um breve reencontro com seu fiel escudeiro, Little John (Bill Skarsgard), leva a dupla para novo acerto de contas.
No segundo ato da trama, Robin é nada mais do que uma sombra do que já foi. O personagem está se recuperando em uma ilha remota. No local, existe um priorado comandado pela Irmã Brigid (Jodie Comer, numa imagem que lembra muito a pintura “Moça com brinco de pérola”, de Vermeer). Com carinho e atenção, ela assiste aos doentes e feridos. Adultos, velhos e crianças compõem este grupo de refugiados. O que fizeram, qual a origem deles, nada disso interessa à religiosa.
Robin assume a persona de Randolph, que se torna muito próximo de Brigid. Boa parte do tratamento que ela dedica a ele é feito por meio de sangrias. Ainda muito machucado, caminhando com uma espécie de muleta, ele também chega a fazer um amigo improvável – um homem desfigurado pela lepra, que também está esperando o fim dos próprios dias. Com a chegada de Little Margaret (Faith Delaney), a filha de Little John, Robin/Randolph se torna uma espécie de mentor dela.
A dinâmica dos personagens tem poucos diálogos e muitos silêncios. As sugestões mostram mais do que as ações no filme. Na ilha, a tensão é crescente, pois o local está sempre aberto a párias. Há uma espera constante de um novo banho de sangue. Quando a prestação de contas finalmente chega, é de forma surpreendente. A forma como ocorre a redenção do personagem é totalmente coerente com os nossos tempos.
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“A MORTE DE ROBIN HOOD”
(EUA/Reino Unido/Irlanda, 2026, 122min.) – Direção de Michael Sarnoski, com Hugh Jackman, Jodie Comer e Bill Skarsgard) – O filme estreia nesta quinta (13/8) nos cines Belas Artes 1, às 20h40 (leg); BH 9, às 15h20 (somente dom, dub), 16h10 (exceto dom, dub), 19h30 (somente dom, leg), 20h30 (exceto dom, leg); Big 3, às 18h45 (dub); Cidade 4, às 20h50 (dub); Contagem 8, às 18h25 (exceto dom) e 16h20 18h50 (somente dom, dub); Del Rey 5, às 18h45 (dub); Diamond 3, às 22h10 (leg); Estação, às 18h30, 21h15; Itaupower 4, às 18h40 (dub); Minas Shopping 5, às 18h45 (dub); Monte Carmo 2, às 18h45, 21h10 (dub); Norte 3, às 18h45 (dub); Pátio 2, às 15h (leg); Pátio 8, às 11h40 (somente dom, dub), 21h40 (dub).
