Inspirados nos eventos de brechós realizados frequentemente no mezanino do Edifício Arcângelo Maletta, os sebos decidiram fazer o mesmo. Neste sábado (8/8), das 9h às 16h, estreia a Feira Maletta Literário, com participação dos 17 lojas que vendem livros usados.

O evento nasce com grandes aspirações. Pretende incorporar os sebos de fora do edifício nos próximos anos. “Belo Horizonte já teve feiras assim antigamente. Queremos voltar com isso e, quem sabe futuramente, fazer um evento geral de livros usados”, diz Fernando Fonseca, proprietário da Livraria Rosaes e idealizador da feira.

“Nosso sonho é fazer numa rua ou praça, igual acontece em Paris, Montevidéu e Buenos Aires. Nos finais de semana, locais são fechados nessas cidades e as pessoas ficam vendendo livros usados. É muito legal”, afirma.

Maletta Literário é “o pontapé inicial”. Com adesão de todas as lojas de livros usados do edifício, cada livreiro vai expor o que tem de melhor no estoque.

“Sebo tem uma coisa interessante, a rapidez com que os títulos circulam. Você vai num dia e vê determinado livro. Na semana seguinte, ele já não está mais lá”, observa Fernando. “A gente vende o livro que é raridade e não tem outro para repor.”

Ele separou edições antigas de “Tarzan”, “Dom Quixote”, “Crime e castigo”, poemas de Cecília Meireles e livros de filosofia. A maioria dos títulos não chega à loja pelas mãos de pessoas interessadas em se desfazer de bibliotecas, mas por meio do “garimpo” realizado por livreiros.

O próprio Fernando já foi a pontos de descarte de materiais recicláveis para resgatar obras. Encontrou livros que pertenceram ao poeta modernista Jorge de Lima (1893-1953), achou até livro de Guimarães Rosa autografado pelo autor.

O Maletta Literário procura também tornar conhecidos os sebos do edifício. Além de “escondidos” nos 19 andares comerciais do prédio, eles enfrentam problemas com vendas on-line.

“No caso da Estante Virtual, o envio é feito pelos Correios. Se enviamos 10 livros, a chance de um sumir é enorme, e a plataforma lava as mãos para isso. O prejuízo é nosso”, reclama Fernando.

“Outras plataformas, como Amazon, Mercado Livre e Shopee, têm sistemas próprios de envio. Então, o problema não ocorre muito. O problema é que há muitas vendas pela Estante Virtual, o que faz a gente correr o risco. Se dependermos só da venda física, não sobreviveríamos”, acrescenta o livreiro.

A primeira edição do Maletta Literário é bancada com dinheiro do próprio bolso do idealizador. “Aqui, trabalhamos em condições precárias, geralmente sozinhos. Então, tentamos ajudar a estruturar ao máximo outros sebos que têm dificuldades”, finaliza.

1ª FEIRA MALETTA LITERÁRIO

Neste sábado (8/8), das 9h às 16h, no segundo andar do Edifício Arcângelo Maletta (Av. Augusto de Lima, 233, Centro). Entrada franca.

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