SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Regina Casé, 72, comentou o trabalho como atriz da filha, Benedita, 36, que tem uma deficiência auditiva.

Em entrevista ao videocast "Conversa vai, conversa vem", Casé falou sobre Benedita e também sobre o filho mais novo, Roque. "Eu nunca tinha prestado atenção. Se você tiver um filho preto e uma filha PCD, por mais que você estude e tenha letramento... se você viver o dia a dia 24 horas, você vê as grandes questões, as sutilezas. Você vai percebendo nuances que você não via antes."

"Benedita se tornou uma ativista anticapacitista muito interessante. Ela não tinha pensado em ser atriz por capacitismo meu e dela", falou Casé.

Ela disse que percebia que a filha tinha uma observação do outro mais aguçada que a sua. "Talvez a surdez tenha contribuído. Como faz leitura labial, está o tempo todo olhando na cara da pessoa e prestando atenção. Nunca está com uma audição dispersa ou paralela. Eu achava ela engraçada, emocionante. Via que ela tinha uma intensidade na percepção do outro. E falava: 'Tem que ser o psicanalista ou mãe de santo'."

A atriz comentou a estreia de Benedita como protagonista no filme "90 decibéis". "Fui ver o filme e parecia que era o trigésimo filme da Benedita. Fernandona (Montenegro) me mandou um de seus famosos áudios às 2h da manhã, dizendo: 'Regina, minha amiga, não consigo dormir'. E disse a mesma frase que te falei sobre Benedita, que parecia que ela já tinha feito vários filmes."

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Benedita teve uma perda grande da audição ainda bebê, devido a um antibiótico tóxico. "Os médicos diziam para eu ensinar Libras, que ela não ia oralizar, falar."

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