Dia da Dança com sabor de vitória e espetáculos gratuitos em BH
Artistas se apresentam no Teatro Marília e Praça da Estação, hoje e quarta (28 e 29/4).Lei que finalmente regulariza a profissão de dançarino só depende de Lula
"Experimentos", com Guidá, que pesquisa danças negras, é um dos espetáculos de hoje no Teatro Marília - (crédito: Mario Crispim/divulgação)
crédito: Mario Crispim/divulgação
Este ano, o Dia Internacional da Dança, comemorado em 29 de abril, terá significado especial. No início do mês, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que regulamenta a profissão de dançarino no Brasil. A proposta, que aguarda sanção presidencial, representa um avanço importante ao garantir direitos trabalhistas e autorais para os artistas.
Em Belo Horizonte, a data ganha vários eventos. O Teatro Marília recebe nesta terça-feira (28/4) a edição especial do projeto que reúne artistas de diferentes estilos. “Danças para o Marília” encerra as comemorações dos 60 anos da casa, iniciadas em 2025 com a peça “O vestido de noiva”, encenada pelo grupo Oficcina Multimédia.
Participam da programação o Grupo de Dança Primeiro Ato, a coreógrafa Dudude, a bailarina Guidá, a artista drag Carambola e a Cia. Fusion de Danças Urbanas. Ao longo da noite, os convidados apresentarão cenas curtas de até 10 minutos, explorando diferentes linguagens – das danças contemporânea e urbana ao vogue, passando pelo balé clássico.
Com mais de 40 anos de trajetória, o Grupo de Dança Primeiro Ato abre a programação com a performance “Como água”. Em seguida, Dudude, referência na dança contemporânea, com mais de cinco décadas de atuação, apresenta “História que TRANS-FORMA”.
Guidá, bailarina, diretora artística e pesquisadora das danças negras, leva à cena “Experimentos”.
Primeiro Ato abre a noite no Teatro Marília, nesta terça-feira (28/4), com a coreografia 'Como água'
Guto Muniz/divulgação
A programação também inclui o coletivo Comunidade do Soul, que propõe um baile inspirado nas discotecas de black music com James Brown e Tim Maia no repertório. A cultura ballroom comparece em “Um vogue por dia”, da performer Carambola.
Encerra a noite o espetáculo “Jega”, da Cia. Fusion de Danças Urbanas, com direção de Leandro Belilo. O espetáculo aborda, por meio de coreografias, a experiência de um jovem no sistema prisional.
Paula Senna, diretora de Promoção das Artes da Fundação Municipal de Cultura, destaca a missão do Marília. “É um teatro com muita ocupação pela dança. Temos também o Centro de Referência da Dança, que funciona no local como espaço de apoio, acolhimento e convivência”, diz.
Diversidade e acesso são prioridades do projeto. “A gente tem buscado, dentro da democratização das artes, pensar a dança em seus diferentes estilos e corpos”, diz Paula. “O Marília acolhe diferentes grupos da cidade, abrindo espaço para artistas independentes e companhias profissionais.”
Jam na praça
BH assistirá a outras ações ligadas ao Dia da Dança. Na quarta-feira (29/4), o projeto Que se Dance promove jam de improvisação na Praça da Estação, no Centro. A atividade gratuita está marcada para as 19h30, convidando o público, com ou sem experiência, para participar.
Que se Dance comanda atividades gratuitas na capital até 16 de junho, oferecendo oficinas de diferentes modalidades de dança na Escola de Belas Artes da UFMG, Funarte MG, Teatro Raul Belém Machado e centros culturais de diversos bairros.
Samuel Carvalho, um dos produtores do projeto, diz que a proposta é ampliar o acesso à dança e fortalecer a presença desta arte na cidade. “A ideia é oferecer uma plataforma com atividades gratuitas e de qualidade”, afirma.
Ele destaca o impacto da aprovação do projeto de lei que contempla os bailarinos. “De alguma forma, ele profissionaliza a dança e traz outra camada de discussão para nós, artistas”, afirma. A futura lei representará o reconhecimento de uma arte que, por muito tempo, não foi vista como profissão. “A gente deixa de ser colocado de lado e passa a ser reconhecido com mais seriedade”, diz.
Que se Dance convida o público para improvisar na Praça da Estação, na quarta-feira (29/4), Dia Internacional da Dança
Vitória Lages/Divulgação
Diversidade
Para Samuel, a futura lei alcança públicos diversos e amplia o acesso às práticas artísticas. “Nosso alvo são corpos diversos. A gente quer ampliar essa discussão, levar a dança também para pessoas que muitas vezes ficam à margem.” Ygor Gohan, Gustavo Faraco e Vitória Lages são parceiros dele na organização do Que se Dance.
A jam na Praça da Estação terá a participação do público “É um encontro para todo mundo, para quem dança e para quem não dança. Um espaço de troca, criação e ocupação coletiva”, adianta o organizador.
Comunidade do Soul promete levar o balanço de James Brown para o palco do Teatro Marília
Instagram/reprodução
DIA INTERNACIONAL DA DANÇA
Terça (28/4)
19h: “Danças para o Marília”. Com Primeiro Ato, Dudude, Guidá, Carambola, Comunidade do Soul e Cia. Fusion de Danças Urbanas. Teatro Marília (Avenida. Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia). Entrada franca, com retirada de ingressos na plataforma Sympla