O Brasil encerra neste domingo (15/3) sua maior campanha para o Oscar. Ganhando ou não, como afirmou o cineasta Kleber Mendonça Filho ao chegar a Los Angeles, o clima é de comemoração.


As cinco indicações ao prêmio – quatro de “O agente secreto” (Filme, Ator, Filme Internacional e Direção de Elenco) e a de Fotografia para Adolpho Veloso, por “Sonhos de trem” – levaram a equipe do longa pernambucano e o fotógrafo paulistano para uma maratona de divulgação mundo afora.


O reconhecimento global, que começou com “Ainda estou aqui”, é latente. “Era de ouro”, classificou o britânico “The Observer”. O thriller é quente, inventivo e, principalmente, brasileiro. “O agente secreto” vem sendo aclamado desde a estreia, 10 meses atrás, no Festival de Cannes.


O convite para Wagner Moura apresentar um dos prêmios é mais uma prova do prestígio do ator de 49 anos. Poderá ser, no entanto, a única vez que um brasileiro subirá ao palco do Dolby Theatre domingo.


Nenhuma das grandes publicações especializadas dos EUA – “The Hollywood Reporter”, “Variety”, “IndieWire”, “Deadline” – prevê prêmio para o filme. Todas, contudo, colocam “O agente secreto” logo abaixo do norueguês “Valor sentimental” na categoria Melhor Filme Internacional.


A favor do drama de Joachim Trier estão nove nomeações, o grande bloco votante europeu e a fácil identificação com a história de pai e filhas.


“O agente secreto”, porém, tem defensores. Principal crítica do “The New York Times”, Manohla Dargis afirmou que Mendonça Filho é um de seus cineastas favoritos e que as pessoas deveriam assistir ao longa. Justin Chang, da “The New Yorker”, considera a interpretação de Moura “a mais fascinante do ano”.


A “Vanity Fair” aponta Michael B. Jordan como ganhador do Oscar de Melhor Ator, mas diz que Wagner Moura pode surpreender, após “uma campanha incrivelmente carismática”.“O fato de a gente estar nesse final de semana em Los Angeles em torno das quatro indicações ao Oscar de ‘O agente secreto’ é muito simbólico e especial para um grupo de pessoas que vêm trabalhando há muitos anos nesse filme”, afirmou Mendonça Filho.


A comitiva brasileira é de 30 pessoas. “O agente secreto” levou 10 dos 38 nomes do elenco, incluindo os mineiros Carlos Francisco, que vive o sogro do protagonista, e Laura Lufési, a pesquisadora que desvenda o passado do personagem.

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Belo-horizontino de 64 anos, morador de Santa Tereza, Carlos Francisco havia estado em 2022 em Los Angeles, quando o mineiro “Marte Um” tentava emplacar uma indicação. “Acabamos morrendo na praia e agora, com ‘O agente secreto’, veio a segunda possibilidade. O filme já foi bastante premiado, a maior premiação de todas é estar no Oscar”, afirmou ele, pouco antes de embarcar para Los Angeles.

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