O Carnaval de Belo Horizonte consolidou-se como um dos maiores eventos do país, e as projeções para 2026 indicam um novo salto de crescimento. Para a próxima temporada, a capital mineira deve receber ao menos 660 desfiles oficiais espalhados pelas dez regionais da cidade.

Embora os blocos de rua concentrem grande parte do público jovem, o movimento cultural das escolas de samba e dos blocos caricatos permanece como o alicerce histórico e artístico da folia belo-horizontina, ocupando a capital com desfiles que unem técnica, ancestralidade e participação comunitária.

A trajetória carnavalesca da capital remonta a 1897, ano de sua fundação, mas foi em 1947 que a estrutura das agremiações começou a ganhar corpo. Naquele ano, surgiu o Leão da Lagoinha, primeiro bloco de rua da cidade, e ocorreu o desfile da Agremiação Pedreira Unida, formada por moradores da Vila Pedreira Prado Lopes, marcando o início da era das escolas de samba em Belo Horizonte. Desde 1980, essas apresentações integram a programação oficial, contando com uma estrutura competitiva dividida entre os Grupos de Apresentação, Acesso e Especial.

Aspecto do desfile da Escola de Samba Surpresa, realizado na avenida Afonso Pena

Arquivo EM. Brasil.

A estrutura da passarela e o rigor técnico

Embora compartilhem a passarela, as escolas de samba e os blocos caricatos possuem características distintas que definem a pluralidade do Carnaval de Belo Horizonte. Enquanto as escolas de samba seguem o modelo clássico das agremiações brasileiras, os blocos caricatos preservam uma tradição tipicamente mineira. Surgidos na década de 1940, os caricatos utilizam baterias montadas em caminhões, fantasias de papelão e gesso, além de uma estética satírica, sendo avaliados em cinco quesitos técnicos.

A organização dos desfiles também obedece a um cronograma específico na programação oficial. Tradicionalmente, os blocos caricatos abrem a programação da passarela, desfilando na segunda-feira de Carnaval, levando a irreverência das comunidades e das marchinhas autorais para o centro da capital.

Já o desfile das escolas de samba ocorre na terça-feira de Carnaval, marcando o ápice da competição técnica e do luxo visual antes da apuração oficial. Essa divisão garante que cada modalidade tenha seu protagonismo preservado.

Para alcançar o título de campeã, uma escola de samba deve apresentar excelência em nove quesitos técnicos avaliados por jurados especializados. A análise abrange desde o desempenho da bateria e a harmonia do samba-enredo até a execução das alegorias, fantasias e o bailado do mestre-sala e da porta-bandeira. Esse rigor garante um espetáculo visual que mobiliza as comunidades durante todo o ano, culminando na apuração que antecede o encerramento oficial da festa.

Paralelamente às escolas, os blocos caricatos preservam a tradição dos desfiles com baterias posicionadas sobre caminhões e o uso de marchinhas autorais. Agremiações como o Afoxé Ilê Odara, primeiro grupo afro do Carnaval de rua de Belo Horizonte, e o próprio Leão da Lagoinha, simbolizam o pioneirismo operário que moldou a identidade da folia na capital mineira.

Apuração dos resultados do desfile das escolas de samba no último ano, em que a escola Canto da Alvorada conquistou o primeiro lugar

Marcos Vieira/ EM/DA. Press

Retrospectiva e expectativas para 2026

O último ciclo carnavalesco, em 2025, elevou o nível de competitividade na avenida. A escola Canto da Alvorada conquistou seu 18º título com o enredo "Kizomba - Festa da Raça", somando 179,9 pontos. A disputa foi acirrada, com a Acadêmicos de Venda Nova garantindo o segundo lugar ao apresentar a temática "Vozes do Navio Negreiro", seguida pela Estrela do Vale, que homenageou a cantora Elis Regina. No grupo de acesso, a Triunfo Barroco garantiu sua ascensão e desfilará no Grupo Especial em 2026.

Nos blocos caricatos, o destaque foi o Bacharéis do Samba, que celebrou seis décadas de história com uma homenagem à imigração italiana, sagrando-se hexacampeão. O pódio foi completado pelos blocos Estivadores do Havaí e Mulatos do Samba.

Divulgação/Estrela do Vale

A Escola de samba Estrela do Vale foi a campeã em 2024

Agremiações habilitadas para o desfile de 2026

Para este Carnaval, a lista de escolas de samba que garantiram habilitação para cruzar a avenida já está definida pela Prefeitura de Belo Horizonte. O grupo inclui campeãs históricas, agremiações tradicionais de bairros como Venda Nova e Pampulha, além da Triunfo Barroco, que ascendeu ao Grupo Especial.

Confira as escolas de samba habilitadas para os desfiles deste ano:

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  • Acadêmicos de Venda Nova;
  • Mocidade Verde e Rosa;
  • Cidade Jardim;
  • Estrela do Vale;
  • Imperavi de Ouros;
  • Imperatriz de Venda Nova;
  • Triunfo Barroco;
  • Canto da Alvorada;
  • Unidos Guaranys Pedreira Prado Lopes;
  • Unidos da Zona Leste;
  • Mocidade Independente Bem-Te-Vi;
  • Mocidade Independente da Pampulha;
  • Raio de Sol.

A programação oficial do carnaval neste ano terá início no dia 31 de janeiro, estendendo-se até 22 de fevereiro. O período de maior concentração ocorre entre os dias 14 e 17 de fevereiro, momento em que a folia e o movimento cultural das escolas de samba reafirma, a cada ano, que a identidade do Carnaval de Belo Horizonte é construída através da preservação histórica e do protagonismo de suas comunidades.

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