Maya Stern (Michelle Keegan) lida com bullying, assassinatos, filhos e sogra complicada -  (crédito: Netflix/divulgação)

Maya Stern (Michelle Keegan) lida com bullying, assassinatos, filhos e sogra complicada

crédito: Netflix/divulgação

Em terra de cego, quem tem um olho é rei. A velha máxima é perfeita para o novo sucesso da Netflix, “A grande ilusão”. As plataformas economizaram entre o Natal e o ano-novo, deixando a ressaca das festas terminar para voltar à ativa com produtos importantes (o que ocorre a partir da próxima semana, vale dizer).

 

“A grande ilusão” chegou à plataforma na segunda-feira (1/1). Na “entressafra”, nadou de braçada na audiência – no Brasil, só ficou atrás do arrasa-quarteirão “Berlim”.

 

Vale tamanha atenção? De forma alguma. Mas as credenciais ajudaram bastante. É o oitavo título da chamada “Coleção Harlan Coben”.

 

O escritor bestseller norte-americano – segundo seu próprio site, são 35 romances em 46 idiomas que venderam 80 milhões de cópias – fechou em 2018 contrato com a Netflix para adaptação televisiva de suas histórias. O próprio Coben atua e é produtor-executivo. A parceria gerou as séries “Safe”, “Fique comigo” e “Não fale com estranhos”.

 

As narrativas abordam eventos não resolvidos do passado (assassinatos, suicídios). Geralmente, tais mistérios envolvem uma família que vive em mansão no subúrbio com SUVs na garagem.

 

 

Pois então chegamos à série “A grande ilusão”. No prólogo, em 1996, assistimos a um adolescente sofrendo bullying. Na verdade, é muito pior: ele está sendo amarrado por outros jovens. Estes, encapuzados. O cenário é uma escola tradicional do interior da Inglaterra.

 

A "multissaga" de Maya

 

Rapidamente a trama pula para o tempo presente. A vida de nossa protagonista, Maya Stern (Michelle Keegan), não está nada fácil. Depois que o marido, Joe Burkett (Richard Armitage), é morto a tiros em um parque, ela tenta viver em alguma normalidade.

 

Isso significa conciliar a criação da filha e o trabalho – ela treina pilotos de helicóptero. Também tem que lidar com a espinhosa e endinheirada família do marido, proprietária de um grande laboratório. Um filho suicidou-se, o outro foi assassinado, mas a matriarca Judith Burkett (Joanna Lumley) segue em frente com os negócios.

 

Tudo vai mais ou menos para Maya até que ela vê, numa câmera escondida, a imagem do marido brincando com a filha. Como assim, se ele está morto?

 

A protagonista resolve partir para a ação. E a história vai se abrindo em várias outras, com leque enorme de personagens e seus pequenos dramas. Sami Kierce (Adeel Akhtar), o policial que investiga a morte de Joe, sofre convulsões, está prestes a se casar e a lidar com novo parceiro.

 

Maya ainda tem que lidar com a morte de sua irmã (também assassinada), com o cunhado com pendor para o alcoolismo e os dois sobrinhos. A protagonista tem transtorno de estresse pós-traumático, causado pela morte de civis durante a guerra – um hacker expôs o erro de Maya e acabou com a carreira dela no Exército. Tem ainda um ex-colega dela que a gente nunca sabe de que lado está.

 

É muita coisa para lidar. As subtramas vão criando teias na cabeça do espectador durante os oito episódios. Quando a história chega ao final – em uma resolução absolutamente implausível –, a gente acaba se perguntando qual foi a razão disso tudo.

 

“A GRANDE ILUSÃO”


A série, em oito episódios, está disponível na Netflix.