Diante da flagrante desfiguração física no semblante do atual herdeiro do comando máximo do Irã, que passou a ser alardeada pelos atuais dirigentes máximos da super dupla de nações aliadas do mundo ocidental, EUA e Israel, na atual rodada de agressões ao redor do Estreito de Ormuz, onde circula boa parte do comércio mundial de derivados de petróleo, afetando, inclusive e numa certa medida, o nosso país, aumentaram as especulações sobre as preocupantes e mais prováveis tendências à frente dessa grande confusão que se armou e que o mundo vem testemunhando com bastante ansiedade nos últimos tempos.

Penso, contudo, que, para nós, dada a situação menos preocupante que se mostra especificamente na área da oferta de petróleo, o fenômeno cuja ocorrência cada vez mais assustadora se mostra nos últimos tempos, mas que é em boa medida ignorado pelos que acompanham de perto a evolução do quadro macroeconômico brasileiro, é o fato de a população brasileira vir envelhecendo a uma velocidade cada vez maior, de forma comparativa e altamente surpreendente, por exemplo, em relação ao que ocorre com dois grupos externos de peso altamente elevado em termos mundiais, e com base em várias formas de medir. Refiro-me, de um lado, aos países europeus como um todo, e, do outro, aos Estados Unidos da América em particular, desde meados da década de cinquenta.

Isso é, sem dúvida, algo contra o que, sem o devido enfrentamento pelas autoridades cabíveis, tenderá a nos colocar cada vez mais no epicentro de uma demorada crise de baixo crescimento do PIB e do emprego, com consequências desastrosas para a nossa população, conforme expliquei, em maior detalhe, em vários artigos que escrevi recentemente sobre o mesmo assunto.

Em primeiro lugar, é surpreendente que a percepção de tão importante resultado seja tão baixa em nosso país, quando, para tanto, bastaria consultar anuários demográficos de entidades como as filiadas à ONU, que costumam apresentar a evolução recente das Razões de Dependência de Idosos (RDI), conceito básico dessa área, que se definem pela razão entre o número de pessoas com menos de 15 e mais de 65 anos, em porcentagem da parcela da população entre 15 e 65 anos, que é como se deve apurar, e depois comparar, o grau de envelhecimento de diferentes países, que há algum tempo é cada vez maior no nosso caso.

A partir daí, tenho chamado a atenção dos meus leitores para a consequência básica disso: quanto mais rápido for o grau de envelhecimento da população presente em qualquer caso (notadamente em situações como a nossa), é de se prever que, de forma natural, tenda a ocorrer uma maior desabada no investimento público em infraestrutura (e, juntamente com a desse, no investimento privado no mesmo segmento, por serem naturalmente complementares) e, por consequência, também no chamado PIB Potencial, como tem de fato ocorrido, diante da tradicional escassez de recursos nos orçamentos públicos, e em face da prioridade naturalmente mais elevada que, em nosso caso, tende a ser conferida a previdência e assistência social vis-à-vis tais inversões, já que maior envelhecimento é, naturalmente, sinônimo de mais elevados benefícios previdenciários e assistenciais.

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Nessas condições, não parece haver escapatória: precisamos concentrar esforços na tarefa mais conhecida como “equacionamento previdenciário”, por meio da qual se tornam as regras de concessões de benefícios mais restritivas e se fazem outros ajustes com vistas à zeragem do passivo atuarial em causa, e, portanto, à abertura de maior espaço para investir e fazer o país crescer mais economicamente, ou seja, ampliar satisfatoriamente as suas oportunidades de emprego.

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