A 13 dias da votação de 4 de outubro, bate o desespero em uns e mudança de estratégias de todos. A desorientação leva candidaturas opostas a conversarem entre si para estratégia comum, que se resume a desidratar o líder da disputa, Cleitinho Azevedo (Republicanos). Até mesmo peças de campanhas rivais dialogam entre si, tendo o favorito da disputa como alvo.
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Além desse, outro cenário aproxima lados opostos, abrindo portas para possível aliança no segundo turno contra Cleitinho. No primeiro cenário, todos lutarão até o dia 4 de outubro para ser um dos escolhidos a uma das duas vagas do segundo turno. A primeira vaga já se sabe que será de Cleitinho, como é consenso de todas as pesquisas (elas podem até errar, mas nem tanto!).
As estratégias devem ser bem conduzidas para não dificultar posições futuras. Mateus Simões, por exemplo, disputa a reeleição pelo PSD e deve abrir confronto nesta semana, no debate da TV Record, em cima de Cleitinho. Dele, espera tirar os votos que o levariam a disputar a etapa final contra ele mesmo. Terá que dosar o enfrentamento em caso de insucesso. Explico. Caso não vá ao segundo turno, continuará contra Cleitinho, apoiando o candidato do PT? Ou Alexandre Kalil, do PDT?
Kalil anda sumido por estratégia, para não mexer com a eleição e confiar no seu recall. Operação de risco. Patrus Ananias, do PT, joga parado. No conjunto da obra, conta com sua relação direta com o presidente e candidato à reeleição, Lula (PT). Se esse for bem, Patrus pega carona. Daí o estilo franciscano do petista, de não falar mal de ninguém, buscando facilitar o desempenho na etapa final se lá estiver.
Simões ataca rival e vice
Nessa linha, Simões abriu a caixa de ferramentas. Poupou Cleitinho indiretamente, mas atacou o vice dele, Luís Falcão (Republicanos), de quem é desafeto. Atacou ainda de corrupção o suplente do rival, Alex Diniz, que, segundo ele, seria sonegador de impostos e envolvimento com o ex-operador financeiro Marcos Valério. E mais, que o maior apoiador dele, o presidente do partido, Euclydes Pettersen, é “o ladrão de dinheiro de velhinhos” e que Cleitinho voa em avião do aliado, pago por esse desvio. Cleitinho ainda não respondeu.
Isenção fiscal vira problema
Numa tentativa de reverter sua desfavorável situação eleitoral, o candidato à reeleição e governador, Mateus Simões (PSD), enviou, na sexta (18), três projetos de lei à Assembleia. No principal deles, reconheceu a herança abusiva que recebeu e que concede isenção fiscal, na casa dos R$ 25 bilhões neste ano, apesar do alto endividamento do estado. De acordo com a proposta, Simões quer reduzir, cassar e extinguir benefícios fiscais concedidos e que não trouxeram contrapartidas. Ainda estabelece condições para renovação ou concessão de novo benefício fiscal.
Pressão veio da AMM
A iniciativa de Simões veio uma semana depois de a Associação Mineira de Municípios (AMM) cobrar a revisão das renúncias fiscais e cobrar reparação dos prejuízos aos municípios mineiros. Vinte e cinco por cento da arrecadação estadual (ICMS) pertencem, constitucionalmente, aos municípios.
Traição no PSB
Traidor, oportunista e indignidade. Essas foram as reações de lideranças do PSB estadual ao gesto do deputado Noraldino Júnior, do mesmo partido. Ele divulgou vídeo de Cleitinho pedindo votos para ele e sua mulher, Kátia Dias (PSB). Antes mesmo do resultado das urnas, Noraldino trai seu partido e apoia o rival de sua aliança partidária com o PT. Ele foi cobrado a devolver os recursos do fundo partidário de mais de R$ 2 milhões que recebeu. “Eu recebi apenas R$ 400 mil”, teria dito ele. “Por conta disso, você vai vender sua dignidade”, rebateu um dirigente. Estão pedindo a expulsão dele, o que não acontecerá tão cedo. Até lá, o estilo governista de Noraldino pode dar certo, mas corre o risco de o candidato apoiado pelo partido dele, Patrus Ananias (PT), vencer as eleições. Noraldino não retornou à ligação.
PT não põe bloco na rua
Causa perplexidade entre aliados, a timidez dos petistas neste primeiro turno eleitoral. Nas ruas, por exemplo, o que mais se vê são peças de campanha dos rivais 22. “O PT ainda não colocou o bloco na rua”, constatou um incrédulo aliado.
Grande eleitor na ALMG
O presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), é o grande eleitor em sua própria sucessão na Casa. De seu grupo, o nome mais cotado é de seu aliado, o do deputado Doorgal Andrada (PP). Somente o resultado das eleições para governador poderá alterar sua influência. Ou seja, Doorgal terá grandes chances de ser o próximo presidente da Casa se o governador eleito for Cleitinho Azevedo (Republicanos), Alexandre Kalil (PDT) ou Mateus Simões (PSD). Caso o eleito seja o petista Patrus Ananias, o quadro pode mudar e favorecer os concorrentes Adalclever Lopes (PV) e Ulysses Gomes (PT). Pelos corredores da Assembleia, as pesquisas apontam o favoritismo de Doorgal, tendo Adalclever como segundo e, em terceiro lugar, Ulysses.
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Damião sai na frente
Enquanto outros estão mais ocupados com a eleição estadual, o prefeito de BH, Álvaro Damião (União), se antecipa e já reúne vereadores para influenciar a escolha do futuro comando da Câmara Municipal. Um dos nomes cotados é do vereador Helinho da Farmácia (PSD), mas Damião aceita negociar. O que o prefeito quer evitar é ficar refém da família Aro, liderada pelo candidato a senador Marcelo Aro (PP), que o derrotou há dois anos nessa eleição.
