Se tinha medo de disputar o Senado junto do “inimigo” e senador Carlos Viana (PSD), Marcelo Aro, como pré-candidato ao governo, vai brigar com, ao menos, seis rivais muito competitivos. Além disso, a maioria deles é de ex-aliados que romperam com ele, como os pré-candidatos Alexandre Kalil (PDT), Gabriel Azevedo (MDB) e, o mais recente, Mateus Simões (PSD). Aviso: vem chumbo grosso contra ele por aí.
Indiretamente, enfrentará outras vítimas de suas articulações políticas, como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e os empresários Flávio Roscoe e Vitorio Mediolli (PL). Esses eram pré-candidatos e foram atropelados. Jarbas Soares (PSB), que era pré-candidato a governador e poderá disputar o Senado na chapa do PT, contestou informação publicada aqui e disse que tem relações cordiais com Aro.
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O argumento de Aro, segundo o qual rejeitava a presença de Carlos Viana na chapa, foi um pretexto, conforme aliados de Simões, que, para superar o impasse, lhe ofereceu a vaga de vice. Ele dispensou, dando a entender que queria outra coisa, ou seja a cabeça da chapa.
Os riscos de suicídio político fazem parte dessa perigosa jogada, que, para alguns, é obra de habilidoso articulador. Afinal, ele passou quatro anos no governo Zema/Simões, cacifando-se junto a prefeitos para ser candidato a senador. Agora, a dois meses da votação, dá um cavalo de pau em seu e no projeto político dos outros. O apoio de 800 prefeitos, do qual se gabava de ter, poderá não o acompanhar, já que boa parte fechou com o atual governador candidato à reeleição.
Como ex-secretário de Zema e de Simões, Aro terá dificuldades de montar sua narrativa. Deverá se agarrar a uma via alternativa, que rejeita a volta do PT e a continuidade do Novo no governo mineiro. Trairá Simões e a Zema, que é pré-candidato a presidente, ao optar pelo bolsonarismo do presidenciável Flávio (PL).
Cleitinho contra-ataca
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Rifado pelo partido, depois de adiar consecutivamente sua decisão, Cleitinho anunciou entrevista, em Divinópolis (Centro-Oeste), para contar o que chamou de a “verdade dos fatos”. Como disse o presidente do Republicanos, Marcus Pereira, Cleitinho perdeu o timing, ou numa linguagem política mineira, deixou o cavalo arreado na porta passar, puxando o trem da história. Durante todo o dia desta quarta (29), Cleitinho tentou se reunir com Marcus Pereira, “onde ele estivesse”, para dar o “sim”. Não conseguiu. Diante disso, foi para o Centro de sua cidade natal para dar seu manifesto, responsabilizando o sistema, a direção de seu partido e Marcelo Aro, que atuou no vácuo dele. Por mais que convoque a população para uma reação, não terá efeito. O povo, a quem se diz ligado, não está ligado, ainda, à campanha eleitoral. Como tem milhões de seguidores e um discurso do desabafo, deixará alguns estragos, mas o jogo ainda vai começar. Candidatos a deputados que se filiaram ao Republicanos, confiando no potencial eleitoral de Cleitinho, entraram em pânico. Estão refazendo as contas. Hoje, o partido tem cinco deputados e torcem para que, pelo menos, quatro se reelejam diante da mudança de cenário.
