Miami (EUA) – A Copa mais cara da história está deixando as empresas jornalísticas de cabelo em pé. Que Nova York é uma cidade cara, todos sabemos, mas os preços foram majorados de forma absurda. Para que vocês tenham ideia, hotéis que custavam 300 dólares a diária estão por 900 dólares. Um pão com salame, queijo e tomate, mais um suco de laranja, na casa dos 50 dólares, sem contar o preço do Uber. Do aeroporto de LaGuardia, que é o mais próximo de Manhattan, a corrida não fica por menos de 100 dólares. Até mesmo o trem, da estação central, que segue para o Met Life Stadium, que custava 12 dólares, ida e volta, está por 98 dólares por passageiro. Realmente uma Copa para ricos, que vêm se divertir, alguns deles que nem sabem que a bola é redonda e que o cara de amarelo é o árbitro.
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Vale pela festa da torcida. Conheci uma família que foi para Nova York com o dinheiro contadinho, para ficar na casa de parentes e tentar comprar o ingresso. Porém, quando o patriarca viu os preços dos ingressos, desistiu. A categoria 1, que é bem próxima ao campo, custava cerca de 700 dólares. Hoje, está saindo por até 5 mil dólares, dependendo do jogo. Para Brasil x Escócia, que será dia 24, no Hard Rock Stadium, aqui em Miami, os ingressos estão esgotados. Há uma procura gigantesca e há gente querendo pagar até 5 mil dólares pelo ingresso categoria 1. Um verdadeiro descalabro, principalmente pelo futebol pobre que o time brasileiro apresenta. As passagens de avião também foram majoradas. Uma ida e volta a Nova York, partindo de Miami, custava em média 450 dólares. Hoje, está pelo dobro do preço. Aí eu pergunto: Por que a Fifa faz isso com os torcedores? Por que não privilegia o torcedor raiz, o pobre, ao invés dos ricos.
Porque a Copa do Mundo virou um grande negócio para a Fifa. Só em vendas de ingressos, a entidade vai faturar R$ 15 bilhões, fora os contratos com os detentores de direitos de transmissão, que pagaram verdadeiras fortunas. A Fifa virou um “banco suíço” e tem um PIB maior do que muitos países que estão aqui na disputa do torneio. Os preços dos alimentos nos estádios também são expressivos. Tomei uma Coca Cola e comi uma batata frita ao custo de 50 dólares (R$ 250). Infelizmente, o futebol virou um esporte de milionários, que vêm com seus jatos privados, ficam em hotéis 6 estrelas e não se importam em pagar o valor que for por um ingresso. Nas áreas vips, com champagne, caviar e tudo o mais, os preços variam de 8 mil dólares (R$ 40 mil) até 15 mil dólares (R$ 75 mil). Preços inimagináveis. E olha que a coisa deve piorar ao longo da competição, quando os jogos mata-matas forem acontecendo com as grandes seleções.
Em campo, os favoritos não estão correspondendo. A quantidade de empates mostra que a diferença técnica já não conta tanto. Cabo Verde, estreante na competição, empatou com a favoritaça, Espanha. Japão e Holanda também empataram, assim como Uruguai e Brasil. Aliás, os sul-americanos estão mal. O Paraguai tomou de 4 a 1, enquanto o Equador perdeu para a Costa do Marfim. A Argentina jogou na noite de ontem, mas escrevi esta coluna antes do jogo. Enfim, uma Copa cara, com jogos sofríveis e as previsões dos analistas como eu indo por água abaixo. Qualquer time bem treinado, mesmo sem talentos, consegue equilibrar uma partida, contra a seleção mais poderosa que houver. Como vivemos um momento delicado no mundo, com falta de craques, não se assustem se uma zebra for a campeã. O saudoso Zagallo dizia que “está chegando a hora de uma seleção africana ganhar a Copa”. Será que Marrocos, Senegal ou Costa do Marfim teriam essa capacidade? Na Copa dos excessos, eu não duvido de nada.
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