Nova York – Pela terceira vez, na vigésima terceira edição da Copa do Mundo, o pontapé inicial será dado no México, único país a sediar a competição por três vezes. Em 1970, quando o Brasil ganhou o tri, e em 1986, quando a Argentina levou o bi e mostrou ao mundo a genialidade de Maradona, e agora, ao lado dos Estados Unidos e do Canadá.

 

 

Confesso que fiz minha inscrição para cobrir essa abertura, mas desanimei ao perceber que a partida será entre México e África do Sul, que serão figurantes, mais uma vez. Eu gostava quando o campeão do mundo, da copa anterior, fazia a abertura, mas a Fifa já disse que o que importa é o dinheiro que entra em seus cofres, ainda que isso custe a beleza do espetáculo. A quantidade – hoje são 48 seleções – superou a qualidade, e, quando isso acontece, os jogos mostram o quão a Copa do Mundo está carente de talentos e grandes jogos.

 

 

Vou acompanhar tudo aqui da Big Apple, onde cheguei ontem, acompanhado dos meus filhos, que, pela terceira vez, estarão num Mundial. A primeira vez deles foi em 2014, na Copa disputada no Brasil, depois na Rússia, em 2018, e agora aqui no nosso país, pois somos todos cidadãos americanos, um orgulho indescritível, que poucos conseguem.

Em minha décima primeira Copa do Mundo gostaria de ver Messi, Neymar e Cristiano Ronaldo brilhando. São eles as maiores estrelas desse espetáculo. Queiram ou não os que não gostam de Neymar, ele é sim nosso único craque, que não consegue fazer um grande jogo há uns 6 anos, mas que tem a genialidade de fazer uma jogada antológica ou de colocar um companheiro, na cara do gol. Não sei em que condições ele estreará, provavelmente nos mata-matas, mas acredito que possa ser importante em algum momento. Quanto a Messi e CR7, que sempre estiveram acima de Neymar, não preciso falar muito. Dividiram a Bola de Ouro da Fifa por duas décadas, ao passo que o brasileiro jamais teve essa honra.

O povo brasileiro tem dúvidas com relação ao hexa, e uma pesquisa feita recentemente mostrou que 70% da torcida não está nem aí para a Seleção e para o Mundial. Acho que assim que a bola rolar, sábado, para Brasil e Marrocos, esse percentual vai diminuir e nosso torcedor virá para o lado da amarelinha. O distanciamento dos torcedores do escrete canarinho é proporcional ao descaso dos jogadores com eles. A maioria joga na Europa, não tem identidade com o povo e se passarem no calçadão de Copacabana poucos serão conhecidos.

O Brasil chega atrás de França, Espanha, Portugal, Inglaterra, Argentina e Holanda, o que não implica dizer que já perdemos. Em torneio mata-mata tudo pode acontecer e o Brasil nunca pode ser descartado. Sei que assim como eu, vocês não concordam com Danilo, Alex Sandro e Paquetá (Flamengo), Alisson (Liverpool), Casemiro (Manchester United) Fabinho (Arábia Saudita), Ederson (Fenerbahçe), mas, se são eles os convocados, vamos virar a chave e torcer. Que a Copa mais cara da história possa dar, pelo menos, um bom futebol, um tempo maior de bola rolando e revelar um grande craque. Quem sabe Endrick e Lamine Yamal. E que CR7 possa se despedir em grande estilo, na sua sexta Copa. Se não der Brasil, que Portugal seja o grande campeão.

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