Ninguém deveria tomar recuperação no primeiro bimestre de aula, por mais malandragem que faça e por mais cabeluda que seja a matéria estudada. Do mesmo modo, nenhuma terceira rodada de campeonato deveria ser decisiva para definir o fracasso ou sucesso de time algum quando o certame é longo como um ano letivo.
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Mas, infelizmente, a peleja desta noite contra o Mirassol, devido aos resultados anteriores do Cruzeiro, será uma prova de fogo deste primeiro bimestre do Cabuloso. Um teste – valendo pontos – para saber se seguiremos – ou não – com a caderneta manchada com nota vermelha.
Vencer fora de casa um dos adversários mais duros do último Brasileirão passou a ser obrigação para o Cruzeiro devido ao início terrível no Campeonato Brasileiro. Ainda mais que estávamos cotados para chegar ao final do ano como o melhor entre os vinte alunos da classe.
Em se tratando de teste, domingo passado tivemos pela frente o América de Belo Horizonte, também conhecido como a Costela do Adão de Lourdes, pelo fato de sempre ser tchuchuca quando enfrenta a Turma do Sapatênis e se transformar em trigão ao pegar o Cabuloso.
Vencemos. Mas como preza, qualquer confronto pela Country Cup, o Campeonato Mineiro, não passa de um mero “trabalhinho em grupo” para quem tem desafios infinitamente maiores no ano e almeja títulos nacionais e internacionais tão difíceis de serem conquistados como passar no vestibular das melhores universidades, tendo estudado em escola pública e sem ser “filhinho de papai”.
Resumindo, ter ganho da Kombi de Coelhinhos de Pullover está longe de provar que o time do Professor Adenor Bachi irá tirar boas notas tanto no Brasileirão quanto na Libertadores e na Copa do Brasil. Tampouco dá sinais de que o próprio mestre está realmente convicto de seu plano de aula (se é que ele existe...).
O mesmo cenário e reflexões se repetirão se chegarmos ao final da peleja desta noite com um resultado positivo. Alivia, mas não resolve. Mesmo se vencermos o Mirassol, possivelmente, ao final da rodada, ainda estaremos entre os últimos colocados do certame. A famosa e nada agradável Turma do Fundão.
Para fechar o primeiro bimestre do Brasileirão, o Cruzeiro ainda terá a peleja contra o Corinthians no pós-Carnaval. É muito provável que, até lá, Tite ainda não tenha conseguido dar estabilidade ao nosso time e sequer tenha convicção de quais os onze integrantes absolutos desse escrete.
Fagner, William ou o jovem Kauã Moraes? Villalba, João Marcelo, Jonathan Jesus ou buscar um novo xerifão? Gerson vai onde sem bagunçar o que já estava acertado no meio campo? E os avançados pela esquerda e pela direita? Tudo isso ainda é incógnita, sem chance para a Nação Azul ter a escalação na ponta da língua se for desafiada a uma prova oral.
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Por outro lado, vencer o Mirassol, embalar e encher o Mineirão para vingar o Corinthians pela eliminação na Copa do Brasil do ano passado pode se tornar uma sequência dos sonhos. Uma baita aula de reforço! Mais do que aliviar, ela afastaria de vez qualquer possibilidade de fecharmos o primeiro bimestre do Brasileirão com notas vermelhas, em recuperação e tendo que mudar de sala, por não confiarmos mais no atual professor.
