Vernacular, na cultura, trata das características comuns compartilhadas por um determinado grupo de pessoas. Na arquitetura, trata do modo de construir tradicional, local e informal, utilizando materiais da região e conhecimentos passados por gerações. No urbanismo, é mais a forma “como foi feito desde sempre”.

Antes de haver cidades, não havia lotes; com o desenvolvimento das cidades, vieram os lotes, delimitados, áreas determinadas. Salvo lotes maiores, usados para mansões e palacetes, todos os outros eram ocupados com construções ocupando todo o terreno, sem afastamentos frontais, laterais e, não raro, de fundos.

Essa lógica de ocupação plena dos lotes propiciou o aumento da densidade e o amadurecimento dos centros urbanos. O advento dos prédios, mais a frente, preservou a lógica e os prédios foram construídos no alinhamento do passeio e colados às divisas, consolidando os centros urbanos como locais vitalizados, congregando moradia, servidos, comércio, lazer, educação, saúde e o poder público, demonstrando a potência criada da densidade.

Inicialmente, os prédios tinham 3, 4 ou, quando muito, 6 pavimentos. Com a chegada da energia elétrica e do elevador, os limites foram rompidos e prédios com 7, 15 ou 30 pavimentos passam a ser uma realidade possível, e desejada, abrindo debates sobre limites, e sobre a altura adequada (ou máxima) para cada local da cidade.

A regra encontrada era, além de simples, inteligente. Concebida para preservar visadas e a incidência de luz natural (e o sol) nas áreas públicas e logradouros, estabeleceu-se a relação entre a largura do logradouro e altura máxima do prédio. Simples, eficiente e de fácil aplicação.

Variações, como a aplicação de um ângulo de 15 graus a partir da altura máxima, criaram a possibilidade de pavimentos adicionais recuados em relação ao alinhamento frontal, criando apartamentos com varandas e uma variação arquitetônica que, quando bem usada, enriqueceu a paisagem.

Os centros urbanos de todas as metrópoles brasileiras (várias latinoamericanas e algumas europeias) espelham essa lógica e o momento em que as cidades foram mais vivas, mais humanas, mais funcionais, mais compactas e densas, antes que o modernismo (no urbanismo) espalhasse as cidades, afastasse os moradores dos centros e, nunca mais, houvesse um sistema de transporte público eficiente e funcional.

No urbanismo, a modernidade não trouxe eficiência e nem humanidade, mas espalhou as cidades, expulsou a baixa renda e destruiu a chance de um sistema de transporte público eficiente. Nesse processo, encareceu a terra, os lotes criados e todas as moradias produzidas.

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O urbanismo, bom mesmo, é recuperar a lógica das regras que eram exigidas 100 anos atrás. No urbanismo, o vernacular é pop.

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