Para além da orientação de candidatura própria na disputa pelo governo de Minas, extraída do encontro realizado pelo PT de Minas, no sábado, em Contagem, dois outros caminhos se abrem para o partido no estado: a conversa com o PSB, em torno de uma composição encabeçada pelo empresário Josué Gomes da Silva ou por Jarbas Soares, ex-procurador-geral de Justiça; e a construção de uma frente ampla, expandindo a aliança ao centro, com o MDB, que lançou a pré-candidatura de Gabriel Azevedo ao governo. Edinho Silva, presidente nacional do PT, esteve em Minas, no fim de semana e manteve conversas com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). A conversa foi considerada “boa”, mas não evoluiu para uma composição em primeiro turno. Há no PT de Minas, correntes resistentes que mencionam a campanha de 2022, além de considerar que o pedetista está mais propenso a um “voo solo”, sem intenção de se vincular ao campo lulista do primeiro turno.


São prioridades políticas do PT de Minas, que tem até 20 de junho para apresentar à Executiva Nacional o seu posicionamento na sucessão estadual – a construção de um palanque forte para a campanha à reeleição do presidente Lula (PT) e a eleição da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado. A legenda pretende conduzir uma série de pesquisas qualitativas para avaliar a melhor estratégia em Minas. Dentro da tese da candidatura própria, serão nomes testados os deputados federais Reginaldo Lopes e Patrus Ananias, Sandra Goulart, ex-reitora da UFMG, além de Marília Campos, que está definida para o Senado. Como Reginaldo e Patrus são pré-candidatos à Câmara dos Deputados e Marília ao Senado, se optar pela candidatura própria, Sandra Goulart tende a ser a indicação da legenda. Além de Alexandre Kalil, serão testados também, do PSB, Josué Gomes da Silva e Jarbas Soares e, do MDB, Gabriel Azevedo.


Ao propor extrair, nesse encontro de sábado (30/05), a candidatura própria como orientação da legenda, o PT acompanhou decisão da véspera da executiva estadual do partido em Minas. Conforme esclareceu a deputada estadual e vice-presidente da Assembleia, Leninha (PT), que preside a legenda e a Federação PT-PV-PcdoB em Minas, o partido não lançou candidatura própria na eleição estadual de 2022. Diante da decisão do senador Rodrigo Pacheco (PSB) em não concorrer, em 2026, o PT de Minas considera que deveria ter nome próprio se as opções que lhe estão postas são de perfis ainda pouco conhecidos no estado.


Entretanto, embora a tese tenha sido sacramentada no encontro de sábado, há argumentos contrários postos por outras correntes do partido no estado – em relação aos quais a direção nacional está bastante sensível: uma candidatura própria na sucessão estadual, “isolaria” a legenda ao âmbito da federação, o que não favoreceria a candidatura ao Senado de Marília Campos e, tampouco, a candidatura de Lula.


Embora exista uma leitura de que Lula irá navegar no estado, independentemente do palanque, há também o entendimento de que o candidato à reeleição poderá ter um desempenho melhor com uma frente ampla de apoios. Nesse cenário, ganham relevância as conversas que estão sendo mantidas também entre as direções nacionais do MDB e do PT, para uma construção ampla no estado, inclusive incorporando o PSB. Edinho Silva e Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, têm previsão de encontro esta semana, em Brasília.


Neste momento, Jarbas Soares tem declarado publicamente que o PSB, ao qual se filiou, deve ter candidatura própria e o próprio Josué tem sinalizado o interesse em conversar sobre eventual candidatura. Há, contudo, entre setores do PT, a avaliação de que as definições se darão no plano nacional, em diálogo entre as cúpulas partidárias, com o aval final entregue a Lula.


Crise em Patos

A prefeita de Patos de Minas, Sandra Gomes (PL), exonerou a secretária municipal de Saúde, Ana Carolina Magalhães, na última sexta-feira (29), abrindo uma crise com seu antecessor, Luiz Eduardo Falcão (Republicanos), que deixou o cargo em março deste ano para disputar um cargo nas eleições deste ano. Seu nome é cotado para ser o candidato a vice-governador em uma eventual chapa encabeçada pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A mudança desagradou o ex-presidente da Associação Mineira dos Municípios, que foi para as redes sociais contestar a exoneração. A prefeita também rebateu, dizendo não compreender a surpresa do ex-chefe do Executivo. De acordo com Sandra, o próprio Falcão já teria manifestado, anteriormente, a intenção de substituir Ana Carolina durante sua gestão. Os dois já estavam estremecidos devido à provável candidatura da deputada estadual Lud Falcão (Podemos),casada com Falcão, a uma vaga na Câmara dos Deputados, o que também teria contrariado uma promessa de apoio do ex-prefeito à eleição para o mesmo cargo do vereador Gladston Gabriel (PSD), irmão da chefe do Executivo. (Alessandra Mello)

 


430 mil deixam
o Bolsa Família

Para responder às críticas ao Bolsa Família em Minas, o governo federal informa que 430 mil famílias superaram a miséria e deixaram o programa no estado desde 2023 até maio deste ano. O governo atribui o resultado ao aumento da renda em Minas e destaca que apenas este ano, até maio, mais de 18,7 mil famílias mineiras deixaram o Bolsa Família. Belo Horizonte foi o município com maior número de desligamentos este ano, com 1.560 famílias, seguido por Contagem (457), Uberlândia (425), Betim (409) e Ribeirão das Neves (360). Juiz de Fora (299), Montes Claros (250), Santa Luzia (250), Governador Valadares (210) e Uberaba (184) completam a lista dos 10 municípios com mais famílias que superaram a pobreza em Minas Gerais e deixaram o Bolsa Família. Entre as capitais brasileiras, São Paulo registrou o maior número de famílias deixando o programa por aumento da renda em maio de 2026, com 7.312 desligamentos. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (4.387), Fortaleza (3.790), Salvador (3.095) e Brasília (1.896). (Da redação)

 


Déficit nas contas de
Minas cresce 233%


O déficit previsto nas contas de Minas Gerais para 2027 cresceu cerca de 233% em relação ao estimado para 2026, segundo o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviado pelo governo estadual à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que deve começar a tramitar nos próximos dias. O rombo projetado é de R$ 7,67 bilhões, ante R$ 2,3 bilhões do ano anterior. A proposta indica receita de R$ 142,8 bilhões e despesas de R$ 150,5 bilhões. Na comparação entre os dois exercícios, a arrecadação teve alta de 0,74%, enquanto os gastos crescem 2,38%. As despesas obrigatórias, segundo o projeto da LDO, representam 88,2% do total de gastos do estado e consomem 92,9% da receita fiscal. O principal item é o gasto com pessoal e encargos sociais, estimado em R$ 96,2 bilhões. Também pressionam o orçamento as despesas constitucionais, previstas em R$ 11,6 bilhões, e os custos com juros, encargos e amortização da dívida, que somam R$ 7,76 bilhões. (AM)

Alterações
nas emendas

O texto da LDO ainda altera regras para emendas parlamentares. Mantém a execução obrigatória das emendas individuais, mas prevê mudanças nos critérios e prazos, além de exigir maior detalhamento técnico na apresentação das propostas. O projeto será analisado em turno único pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, ampliada com integrantes de outras comissões. A votação precisa ocorrer antes do recesso parlamentar do meio do ano. (AM)

 

 

 

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