“Pheromone-maxxing” é a nova tendência que começou a viralizar no TikTok e tem convencido jovens, em especial os da Geração Z, de que abandonar a higiene básica é o segredo para se tornarem irresistíveis. Sob o pretexto de maximizar os feromônios, homens estão deixando de tomar banho, abrindo mão do desodorante e até vestindo repetidamente roupas suadas para exalar um suposto aroma natural.

Sim, você não leu errado: tem marmanjo virando inimigo do banho, suado, fedido e com o cabelo ensebado com o intuito de atrair mulheres. A premissa, sustentada por pseudociência de fóruns de autoaperfeiçoamento, afirma que o odor corporal forte ativa gatilhos sexuais. É ou não é uma teoria de centavos? A fórmula mágica para atrair que, na prática, repele! 

A palavra feromônios ou feromonas foi criada pelos cientistas Peter Karlson e Adolf Butenandt, por volta de 1959. Teoricamente, trata-se de substâncias que provocam excitação ou estímulo. Os feromônios são predominantemente misturas de compostos voláteis, mas podem ser líquidos com efeito de contato. São produzidos por glândulas exócrinas derivadas de células epiteliais. Estas glândulas podem se localizar em diversas partes do corpo de um mesmo ser vivo. Existem diversos tipos de feromônio, como os feromônios sexuais, de agregação, de alarme, entre outros

No entanto, médicos e dermatologistas são unânimes: não há comprovação de que humanos respondam a feromônios dessa forma. O que o acúmulo de suor, sebo e células mortas realmente produz não é atração, mas a proliferação desenfreada de fungos e bactérias.

É uma teoria tão bizarra que o sujeito mira na conquista e acerta em cheio no câncer de pênis. O Brasil é um dos países com maior incidência dessa neoplasia no mundo, uma realidade triste e alarmante, já que se trata de um tumor altamente mutilante, mas diretamente prevenível. 

O acúmulo de esmegma, uma secreção branca composta por células mortas e bactérias que se forma sob a pele do prepúcio devido à falta de limpeza adequada, cria o ambiente perfeito para inflamações crônicas, infecções e, por fim, o desenvolvimento de mutações malignas. Além da higiene precária, o cenário é agravado pela infecção persistente pelo vírus HPV, que também tem forte relação com a doença.

Os números do Ministério da Saúde, compilados pela Sociedade Brasileira de Urologia, são bem altos: o país registra uma média superior a 600 amputações penianas por ano devido à doença. Em um recorte recente de cinco anos, foram contabilizadas cerca de 2.900 mutilações desse tipo. Se antes a desculpa era a falta de acesso à informação ou ao saneamento básico, agora assistimos a um fenômeno inédito de jovens hiperconectados, com o mundo na palma da mão, optando voluntariamente pelo retrocesso sanitário em nome de uma suposta virilidade de internet.

Meus queridos inimigos do banho, não reclamem do celibato involuntário! Se o plano era deixar as mulheres sem fôlego, parabéns, vocês estão conseguindo, da pior forma possível! Se querem atrair parceiras, saibam que o básico é inegociável. Invista no banho, no cabelo limpo e em um bom desodorante. Não existe feromônio mágico que resista a dias de suor acumulado. O que se cultiva na pele suja não é magnetismo, são colônias de micro-organismos que causam desde infecções de pele até o mais grave risco à integridade física do homem. 

Ao invés de ficarem acreditando em teorias estúpidas, que tal ouvir o que as mulheres têm a dizer?

Cuidar do próprio corpo não é mera vaidade, é uma barreira de defesa biológica elementar. O verdadeiro aperfeiçoamento masculino está em entender que a água, o sabonete, o uso de preservativos e a vacina contra o HPV continuam insubstituíveis. Menos telas, mais banho. A sua saúde e o nosso olfato agradecem.

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