Semana passada, mais precisamente no dia 29, foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, uma oportunidade para reforçar os alertas sobre os danos provocados pelo tabaco à saúde: impactos respiratórios, cardiovasculares são muito conhecidos, mas pouco se importam com o que o cigarro também causa na pele, nos cabelos e nas unhas.


A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) chama a atenção ainda para os efeitos dos cigarros eletrônicos, os chamados vapes, sobre os quais falei há alguns meses aqui e que não devem ser considerados uma alternativa inofensiva ao cigarro convencional. Eles alertam que os vapes também expõem o organismo a substâncias potencialmente prejudiciais e não são isentos de riscos.


Os líquidos utilizados nos dispositivos contêm nicotina e diferentes substâncias químicas. O uso desses produtos pode estar relacionado a irritações e alterações da pele, além de representar riscos à saúde sistêmica. Os efeitos são especialmente preocupantes entre adolescentes e jovens, público vulnerável à dependência de nicotina.


A exposição contínua à fumaça do cigarro está associada a danos às fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela firmeza e elasticidade da pele. Como consequência, podem surgir rugas mais acentuadas, especialmente ao redor da boca, perda de viço, alteração da coloração e aspecto mais envelhecido.


O tabagismo também pode comprometer a circulação sanguínea da pele, prejudicando a oxigenação e a nutrição dos tecidos.


Na geriatria, os benefícios de parar de fumar vão além da prevenção de doenças. O foco também está em preservar a capacidade funcional, ou seja, manter condições de realizar as atividades do dia a dia com autonomia e independência pelo maior tempo possível.


Embora o câncer de pulmão seja uma das principais doenças associadas ao tabagismo, os prejuízos do cigarro vão muito além desse diagnóstico. O hábito acelera o envelhecimento do organismo, favorece a perda de massa muscular, aumenta a fragilidade e compromete a capacidade funcional, fatores que interferem diretamente na autonomia e na qualidade de vida.


O acompanhamento da pessoa idosa fumante vai muito além da recomendação para abandonar o cigarro. O trabalho do geriatra é compreender o momento de vida do paciente, identificar fatores que dificultam a cessação do tabagismo e construir um plano individualizado para aumentar as chances de sucesso.


Recaídas podem acontecer e fazem parte do processo de abandono do cigarro. O primeiro passo é acolher, sem julgamentos. Muitos idosos fumam há décadas e já tentaram parar diversas vezes e essas tentativas não representam fracasso, fazem parte do processo. O geriatra procura entender o grau de dependência, identificar as dificuldades e construir um plano individualizado.

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