Quem não se lembra do rebuliço que foi o início da construção da ciclovia no meio da Avenida Afonso Pena, em janeiro 2024, dentro do Programa Centro de Todo Mundo, do então prefeito Fuad Noman?

O que não faltou foi gente pondo a boca no trombone para reclamar do caos que a mudança estava causando. Afinal, estavam retirando uma faixa, espremendo ainda mais os carros e ônibus. Quando as aulas voltaram, o cenário só piorou. Mas o que mais causou espanto foi o fato de ciclistas afirmarem que aquela rota não era usada por eles, e nunca seria, por diversas questões.

O movimento de oposição à ciclovia na Afonso Pena ganhou força em abril de 2024. Motoristas, comerciantes e moradores intensificaram as reclamações sobre o estreitamento da via e a piora no trânsito. Ciclistas e políticos que também são ciclistas gravaram vídeos com depoimentos contra a ciclovia. O descontentamento levou o Ministério Público a acionar a Justiça, paralisando os trabalhos.

A construção da ciclovia na Afonso Pena custou mais de R$ 600 mil. E agora ela está sendo desmontada. Para isso, a PBH gastará em torno de R$ 300 mil.

O correto seria a equipe inicial ter pensado e estudado muito sobre a inclusão da ciclovia no programa. Deveria ter feito pesquisas com vários interessados, inclusive os ciclistas. E não construir a pista. Mas se a PBH fez errado, nada melhor que reconhecer o erro e corrigi-lo.

Como o ser humano é um bicho muito esquisito, tem gente reclamando, alegando que é jogar dinheiro fora. Pode até ser, mas, sinceramente, ainda bem que o atual prefeito tomou esta decisão. O espaço precisa ser devolvido para aliviar o trânsito ao longo da avenida.

Penso que seria muito obtuso manter algo que prejudicou muita gente e não beneficiou ninguém para não gastar com sua retirada. Não é mais importante devolver a melhora do dia a dia de todos que reclamaram? Promover o bem-estar e a qualidade de vida na rotina das pessoas, na minha opinião, não tem preço. Esta não é uma das funções dos nossos governantes?

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Ainda faltam algumas coisas do Programa Centro de Todo Mundo a serem feitas. A maior parte se refere ao trabalho de retrofit de prédios abandonados na área central de BH, para serem ocupados novamente. E também a conclusão das obras da Praça da Independência, ao lado do Edifício Sulacap; consolidação do plano municipal permanente para expansão de iluminação em LED focada nas calçadas comerciais; consolidação do Muralha BH, que é a integração total do sistema de monitoramento inteligente com identificação de placas e cercamento digital do Centro; e, por fim, o mais complicado, a meu ver: o projeto Inclusão Produtiva de População de Rua, que prevê a reinserção no mercado de trabalho e moradia assistida para combater o aumento da vulnerabilidade social dessas pessoas.

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