No início de ano, as crianças ficam ansiosas e preocupadas com o começo das aulas, em qual turma ficarão, quem serão os colegas. Se mudaram de colégio, a preocupação aumenta. Será que vou gostar da escola? E dos novos colegas? E dos professores?

 

Os pais também ficam preocupados, perguntando-se se escolheram bem a escola, se o filho se relacionará bem com os colegas e com os professores, etc.

 

 

O problema é que muitos pais esperam que os professores saibam como se aproximar emocionalmente de seus filhos, que ofereçam desafios que os façam se desenvolver sem estresse, que saibam lidar com a turma e criem ambiente socialmente saudável. Pior: que eduquem seu filho. Mas será que a escola e o professor têm essa função?

 

 

Na verdade, cabe à escola e ao professor mediar a construção do conhecimento, indo além da simples transmissão de informações. O professor planeja aulas, avalia o desempenho, estimula o pensamento crítico e atua como agente social, preparando o aluno para a cidadania. Sua atuação envolve adaptar conteúdos, promover a inclusão, apoiar o desenvolvimento emocional e intelectual dos estudantes.

 

O papel do professor evoluiu de transmissor de conteúdo para mediador que estimula a participação ativa. A função também abrange o zelo pela aprendizagem e a busca por estratégias de inclusão e recuperação. O professor é essencial na formação da autoestima e curiosidade das crianças, atuando como um facilitador no processo educacional.

 

A psicanalista Yafit Laniado, especializada no relacionamento entre pais e filhos, explica que um dos objetivos da escola, se não o mais importante, é preparar as crianças para a vida real. Treiná-las para agir e fazer o bem no mundo. Esse processo envolve a superação de dificuldades.

 

 

No ambiente escolar, um professor não consegue se adaptar a 35 crianças, cada uma com suas necessidades, desejos e interesses. Algumas atividades agradarão e serão mais adequadas para uma criança do que para outra. Boa parte do aprendizado na escola é como lidar com a realidade que não foi escolhida, explica Yafit Laniado.

 

Porém, não cabe ao professor educar o aluno, dar limites, ensinar respeito. Este é o papel dos pais. Se educamos nossos filhos para serem pessoas boas e honestas, o primeiro passo é aprender a ser respeitoso, esperar sua vez e agir com gentileza. Todas essas ferramentas serão fundamentais para enfrentar situações em que nem tudo sairá conforme o planejado, ressalta Yafit.

 

A especialista alerta para os perigos de vender ilusões aos filhos, em nome da proteção. Ela ressalta que o mundo não vai se adaptar ao nosso filho. As coisas não funcionam assim. Todos temos que nos adaptar às regras de convivência social nas comunidades em que estamos inseridos. Por isso, expectativas realistas em relação ao mundo preparam nossos filhos para a vida adulta.

 

 

Yafit explica que nos acostumamos a achar que difícil é sinônimo de ruim. Afirma que precisamos encarar a dificuldade como um trampolim para o crescimento e o desenvolvimento pessoal. É a superação da dificuldade que nos permite crescer e amadurecer.

 

Quando seu filho estiver atravessando alguma dificuldade, não se desespere. Enxergue a dificuldade como algo bom. É por meio da tranquilidade dos pais que os filhos terão a confiança necessária para crescer e superar desafios.

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* Por Isabela Teixeira da Costa

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