O sistema imunológico defende o corpo contra vírus e bactérias. Mas, sozinho, ele não é tão eficaz no combate ao câncer. Os inibidores de checkpoint imunológico — um tipo de imunoterapia — utilizam o sistema imunológico para tratar diversos tipos de câncer, incluindo o câncer colorretal.
Eles atuam bloqueando os sinais presentes no tumor que impedem o funcionamento do sistema imunológico. Ao bloquear esses sinais, os inibidores de checkpoint permitem que as células imunológicas — chamadas células T — ataquem o câncer.
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Esse artigo visa a compartilhar mais informações sobre como a imunoterapia é usada para tratar o câncer colorretal e sobre as pesquisas em andamento sobre essa auspiciosa modalidade terapêutica oncológica.
Quais inibidores de checkpoint imunológico tratam o câncer colorretal?
Existem quatro inibidores de checkpoint imunológico que se mostraram mais eficazes no tratamento do câncer colorretal:
- Pembrolizumabe
- Nivolumabe
- Ipilimumabe
- Dostarlimabe
Eles são aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) para pacientes com um subtipo de câncer colorretal metastático chamado doença com alta instabilidade de microssatélites (MSI-H). Pela Anvisa, os três primeiros são aprovados no Brasil.
O que é câncer colorretal com alta instabilidade de microssatélites?
Pacientes com câncer colorretal com alta instabilidade de microssatélites apresentam diversas mutações genéticas dentro do tumor, que alimentam seu crescimento. Os pacientes também podem ouvir o termo “reparo de erros de pareamento deficiente” (dMMR) ou “reparo de erros de pareamento (MMR) deficiente” para descrever esse subtipo.
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Essas mutações genéticas às vezes estão ligadas a uma síndrome hereditária chamada síndrome de Lynch, mas outras vezes ocorrem esporadicamente. Isso significa que não são transmitidas por um membro da família.
O estado de instabilidade de microssatélites é determinado por meio de um perfil molecular, que consiste em uma série de testes realizados em tecido removido durante a biópsia para conhecer a composição genética do tumor.
O perfil molecular é considerado um teste universal, portanto, todos os pacientes com câncer colorretal devem realizá-lo. Ele pode auxiliar no direcionamento do tratamento com imunoterapia.
Uma distinção mais clara entre células cancerosas e normais
Para o sistema imunológico, patógenos estranhos têm uma aparência muito diferente das células normais. Mas a diferença com as células cancerosas não é tão clara – exceto na doença com alta instabilidade de microssatélites. Pacientes com câncer colorretal MSI-H têm maior probabilidade de apresentar um sistema imunológico que detecta que os tumores são diferentes do tecido normal. Isso ajuda a criar as condições para que a imunoterapia seja eficaz.
A boa notícia é que as células imunológicas frequentemente reconhecem as células cancerígenas como diferentes. A barreira são os pontos de controle — ou os sinais — que as células tumorais colocam em sua superfície para impedir que as células imunológicas as ataquem.
É aqui que entram os inibidores de pontos de controle imunológico. Eles bloqueiam o sinal das células tumorais que impede as células T de realizarem seu trabalho.
Apenas 3% dos pacientes com câncer colorretal metastático apresentam doença MSI-H.
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Mas este é um subgrupo de pacientes em que podemos afirmar: "Apesar de ter doença metastática, podemos curá-lo com imunoterapia". Isso não era possível com quimioterapia e terapias-alvo.
