Em 10 de janeiro de 1992, o navio porta-contêineres Ever Laurel enfrentou uma tempestade violenta no Pacífico Norte enquanto navegava de Hong Kong para Tacoma, nos Estados Unidos. Perto da linha de mudança de data, 12 contêineres caíram no mar. Um deles guardava 28.800 brinquedos de banho fabricados na China para a empresa The First Years.
Os itens eram conhecidos como "Friendly Floatees": patos amarelos, castores vermelhos, tartarugas azuis e rãs verdes. Como foram produzidos sem nenhum furo, os bonecos plásticos não absorviam água e flutuavam de forma contínua após a embalagem de papelão se desfazer no mar aberto.
Monitoramento das correntes oceânicas
Dez meses depois do acidente, dez brinquedos apareceram perto de Sitka, no Alasca, a cerca de 3.200 quilômetros do ponto inicial. Até agosto de 1993, banhistas recuperaram cerca de 400 unidades no golfo do Alasca. Em Seattle, os oceanógrafos Curtis Ebbesmeyer e James Ingraham aproveitaram o episódio para alimentar o modelo computacional OSCUR, desenvolvido para simular correntes com base na pressão atmosférica.
Ebbesmeyer organizou relatos com auxílio de frequentadores de praias. Em 1996, brinquedos encalharam no estado de Washington e alcançaram o Havaí. Cientistas previram que parte do lote cruzaria o estreito de Bering, ficaria presa no gelo do Ártico e alcançaria o Atlântico Norte. Em 2003, a The First Years ofereceu 100 dólares por exemplar recuperado na Nova Inglaterra, Canadá ou Islândia.
Impactos na pesquisa marinha
Quinze anos após a queda da carga, peças surgiram na costa leste norte-americana, no litoral britânico e na Irlanda. O sol e a água salgada descoloriram os patos e castores, enquanto tartarugas e rãs preservaram as cores originais. Em julho de 2007, o National Oceanography Centre descartou um falso achado divulgado em Devon.
O monitoramento reuniu milhares de notificações enviadas de mais de 12 países. A deriva confirmou que o grande giro do Pacífico Norte atua no sentido horário, expondo dinâmicas marítimas complexas. O estudo também registrou plásticos quebradiços fragmentados em microplásticos após 15 anos no oceano.
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Apenas alguns milhares de peças foram recuperadas e passaram a valer centenas de libras no Reino Unido como itens colecionáveis. A trajetória inspirou o livro infantil "10 petits canards en plastique" (Dez Patinhos de Plástico), de Eric Carle, e a reportagem "Moby-Duck", publicada por Donovan Hohn em 2011.
