O lince-ibérico (Lynx pardinus), felino endêmico da Península Ibérica, deixou a categoria de espécie "em perigo de extinção" em 2024 e passou a figurar como “vulnerável” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). O resultado decorre de duas décadas de iniciativas de preservação na Europa. Em 2002, o censo inicial registrou apenas 94 indivíduos remanescentes. No último levantamento, a população superou 2.600 animais.

Esse avanço motivou o surgimento de iniciativas para a observação do mamífero em liberdade na Espanha. No Hotel La Caminera Club de Campo, situado em Ciudad Real, passeios em formato de safári acontecem em uma área privada de mais de mil hectares. A fixação dos animais no local decorreu de solturas realizadas em terrenos vizinhos, impulsionada pela presença de água potável e abundância de presas. As incursões contam com o trabalho do naturalista Samuel Plá, fundador da Lynxperience.

Ameaças persistentes e dieta especializada

Mesmo com o crescimento populacional, o animal enfrenta fatores críticos para a estabilidade da espécie:

  • dependência alimentar: o coelho representa entre 90% e 95% do consumo do carnívoro, que recorre a perdizes, ratos, aves pequenas ou ungulados apenas se a presa habitual escassear;

  • doenças virais: epidemias entre os lagomorfos, a exemplo da mixomatose e da enfermidade hemorrágica viral, incluindo a variante RHDV2 identificada na Espanha em 2011, reduzem a oferta alimentar e limitam a capacidade reprodutiva do lince;

  • intervenção humana: rodovias registraram a morte de 212 linces atropelados em 2025, segundo o Ministério para a Transição Ecológica e o Reto Demográfico (MITECO), cenário agravado pela caça furtiva e pelo uso de armadilhas ilegais.

Metas de recuperação e turismo sustentável

Especialistas da Espanha e de Portugal definiram que a consolidação definitiva da fauna exige ao menos 750 fêmeas reprodutoras e a formação de oito núcleos distintos espalhados pelo território espanhol.

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A observação ocorre durante todo o ano no meio natural. Dezembro e janeiro concentram o período reprodutivo, época em que os machos territoriais circulam com frequência e facilitam o contato visual. No verão, as altas temperaturas restringem a movimentação aos horários iniciais da manhã e ao final da tarde. Para evitar retrocessos no trabalho de conservação, as atividades turísticas priorizam a conduta respeitosa e impedem a massificação do habitat.

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