Um estudo de cientistas de universidades americanas alerta que o calor extremo provocado pelo atual super El Niño pode resultar em mais de 450 mil mortes em todo o mundo. A análise aponta o Brasil como o quinto país com maior risco, onde o fenômeno climático pode causar cerca de 13,3 mil óbitos adicionais.
A projeção foi divulgada em um relatório do Climate Impact Lab, um consórcio de pesquisadores das universidades de Chicago e Berkley. O documento calcula 451 mil mortes relacionadas ao calor acima do que seria esperado, considerando como referência a média do período entre 1996 e 2025.
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Segundo a pesquisa, as temperaturas médias globais sobre as áreas terrestres devem ficar 1,2 °C acima do normal. O fenômeno climático, que se intensificou ao longo de 2026, deve gerar 44% mais dias de calor extremo do que o habitual, com pico esperado entre novembro e dezembro deste ano e efeitos previstos até fevereiro de 2027.
O Brasil aparece na quinta posição entre os dez países com o maior número de mortes adicionais estimadas. A projeção para o país é superada pelas estimativas para Nigéria (31,4 mil), Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,5 mil) e Índia (15,8 mil).
El Niño como prévia do futuro
Para os cientistas envolvidos no projeto, o episódio atual do El Niño funciona como uma antecipação das condições climáticas que devem se tornar comuns no futuro. A análise sugere que as temperaturas elevadas que estamos começando a vivenciar serão semelhantes ao que os modelos projetam para daqui a aproximadamente 20 anos, oferecendo uma oportunidade de observar os impactos em tempo real.
A ideia é que o fenômeno expõe a população a um nível de calor para o qual muitas regiões ainda não tiveram tempo de desenvolver mecanismos de adaptação, tornando os impactos mais severos.
Como o estudo foi feito
Para chegar ao número de mortes, os pesquisadores cruzaram dados que relacionam temperatura e mortalidade em 24.378 regiões do mundo. Foram consideradas características como clima local, vulnerabilidade da população e capacidade de adaptação de cada área.
Essas informações foram aplicadas a previsões de temperatura do sistema europeu ECMWF SEAS5. Os resultados foram então comparados com a média de mortes relacionadas ao calor registrada entre 1996 e 2025. O estudo diz que os detalhes completos da metodologia serão publicados em uma revista científica com revisão por pares.
Como as previsões utilizadas pelo estudo cobrem o período até fevereiro de 2027, os pesquisadores afirmam que o número pode continuar aumentando, caso o calor persista nos meses seguintes.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima
