A aplicação de 40 mililitros de ácido hialurônico no pênis, quatro vezes o volume recomendado por urologistas, resultou na morte de um influenciador britânico de 43 anos. Ele sofreu uma embolia pulmonar horas após o procedimento em uma clínica de Bangcoc.
No Brasil, o preenchimento peniano com a substância é permitido e considerado seguro pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), desde que realizado por um urologista. Os riscos surgem quando a aplicação é feita por profissionais sem formação médica ou quando as expectativas sobre o resultado são irreais.
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O que o procedimento realmente faz
Muitos homens procuram a técnica em busca de um pênis maior, mas o ácido hialurônico não aumenta o comprimento do órgão. Bernardo Hermanson, urologista e membro da SBU, explica que a substância eleva a circunferência e o volume, principalmente com o pênis flácido.
O efeito é temporário. O corpo reabsorve o ácido em um período de seis meses a um ano, exigindo novas aplicações para manter o resultado estético. Além do ácido hialurônico, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autoriza o uso de gordura retirada do próprio paciente para o engrossamento, mas nenhuma das técnicas altera o comprimento na ereção.
Cirurgias de alongamento são restritas a casos específicos, como micropênis ou curvaturas graves, devido a riscos como perda de sensibilidade e necrose da glande.
Riscos da aplicação
A segurança do preenchimento depende do local da injeção. Urologistas aplicam o ácido nas laterais do pênis, em uma camada sem vasos sanguíneos. Regiões como a parte inferior, onde passa a uretra, e a superior, com a veia dorsal e nervos, são proibidas.
O uso de uma cânula de ponta arredondada reduz a chance de perfurar um vaso. Se o ácido entra na corrente sanguínea, pode viajar até o pulmão e causar uma embolia. A gravidade do quadro depende do volume injetado, como no caso dos 40 mililitros que levaram à morte do influenciador.
Ubirajara Barroso, vice-presidente da SBU, aponta três causas para acidentes:
injeção dentro de um vaso;
uso de produto sem registro sanitário;
volume excessivo que com-prime tecidos e interrompe a circulação.
Uma aplicação malfeita pode resultar em danos graves, incluindo a perda do pênis ou de sua pele.
Volume seguro e pós-procedimento
Especialistas indicam um volume médio de 10 mililitros na primeira sessão. Quantidades maiores podem formar nódulos e irregularidades. O procedimento ocorre em consultório, e o paciente é orientado a evitar atividade sexual por cinco dias.
Os efeitos colaterais mais comuns são dor e inflamação. Caso o resultado não agrade, uma enzima pode ser injetada para dissolver o produto. A principal contraindicação é o transtorno dismórfico corporal, condição em que o homem se enxerga menor do que é e nunca fica satisfeito.
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Quem pode realizar o procedimento
A SBU recomenda que a aplicação seja feita por um urologista. Este profissional possui formação em cirurgia geral e urologia, o que lhe confere profundo conhecimento da anatomia genital e suas variações. Um especialista também é capaz de identificar problemas anatômicos que demandam correção cirúrgica e de resolver possíveis complicações.
