O timo, uma pequena glândula localizada no tórax entre os pulmões, foi considerado por muito tempo um órgão com importância reduzida após a infância. No entanto, uma pesquisa publicada na revista "Nature" sugere que o estado do timo pode estar diretamente relacionado ao envelhecimento e a uma maior expectativa de vida.
Este órgão do sistema imunológico é responsável pelo desenvolvimento e maturação dos linfócitos T, células essenciais para o combate a ameaças no organismo, segundo o Roswell Park Comprehensive Cancer Center. Sua atividade é alta nos primeiros anos de vida, mas depois passa por um processo chamado involução tímica, no qual encolhe e parte de seu tecido é substituído por gordura.
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Essa percepção começou a mudar com um estudo que analisou 27.612 adultos de duas grandes pesquisas: o "National Lung Screening Trial" e o "Framingham Heart Study". Usando tomografias computadorizadas e ferramentas de aprendizado profundo, cientistas avaliaram a condição do timo e sua relação com indicadores de saúde.
Os resultados mostraram uma diferença significativa na mortalidade. Durante um acompanhamento de 12 anos, 13,4% das pessoas com melhor saúde tímica morreram. Entre aquelas com a saúde do órgão mais debilitada, o índice subiu para 25,5%. Com base nesses dados, os pesquisadores estimaram um risco de morte aproximadamente 51% menor para o primeiro grupo.
Hugo Aerts, oncologista da Universidade de Harvard, afirmou que a equipe ficou surpresa com a relevância do órgão. "Suspeitávamos que o timo adulto ainda pudesse ser importante, mas fomos surpreendidos", disse.
Uma melhor saúde do timo também foi associada a um menor risco de desenvolver câncer de pulmão e de morrer por doenças cardiovasculares, ampliando o interesse científico em seu papel para além da imunidade.
Quais fatores podem afetar o timo?
Os pesquisadores identificaram diversos fatores associados à condição do timo, incluindo características pessoais, aspectos metabólicos e hábitos de vida. Os principais são:
Idade: com o tempo, o órgão passa por um processo natural de involução;
Sexo: a análise encontrou diferenças na condição do órgão entre homens e mulheres;
Índice de massa corporal: um IMC maior foi associado a uma pior saúde tímica;
Tabagismo: fumar apareceu como um fator para um pior estado do órgão;
Atividade física: os níveis de exercício mostraram relação com a condição do timo;
Inflamação: marcadores de inflamação sistêmica foram vinculados ao seu estado;
Saúde metabólica: alterações metabólicas também apresentaram associações.
As descobertas indicam uma relevância maior do que a atribuída ao órgão anteriormente. "Isso sugeriu que o timo adulto é muito mais importante do que se considerava", destacou Aerts.
O estudo coloca o timo novamente no centro da pesquisa sobre envelhecimento e longevidade. Embora mais análises sejam necessárias, seu papel na vida adulta pode ser mais relevante do que se acreditava.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
