Mudar permanentemente a cor dos olhos, ganhar alguns centímetros de altura, remodelar costelas para afinar a cintura e até alterar o formato dos pés. Cirurgias que até pouco tempo pareciam impossíveis ou eram utilizadas principalmente para corrigir deformidades passaram a ser procuradas também por razões estéticas, alterando características físicas associadas à própria identificação de uma pessoa.
Uma das técnicas que mais despertam curiosidade é a ceratopigmentação, procedimento conhecido popularmente como “tatuagem da córnea”. Durante a intervenção, o médico cria um pequeno espaço entre as camadas da córnea e deposita pigmentos que modificam a cor dos olhos. A técnica surgiu com finalidade reparadora, principalmente para disfarçar alterações em olhos com perda de visão, mas passou a ser procurada por pessoas com olhos saudáveis que desejam mudar a própria aparência. Por interferir diretamente em uma estrutura fundamental para a visão, exige avaliação oftalmológica rigorosa e pode provocar inflamações, sensibilidade à luz, alterações na córnea e comprometimento visual.
Também chama atenção o alongamento de membros, cirurgia que permite aumentar a altura por meio de um corte controlado no fêmur ou na tíbia. Após o procedimento, uma haste interna ou um fixador afasta gradualmente as extremidades do osso, enquanto um novo tecido ósseo se forma no espaço criado. O ganho de altura não acontece de forma imediata: ocorre ao longo das semanas seguintes e é acompanhado por meses de consolidação óssea e fisioterapia. Além da dor e da recuperação prolongada,podem ocorrer rigidez nas articulações, infecções, lesões nervosas e dificuldade na formação do novo osso.
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Para o cirurgião plástico Leandro Faustino, fundador da Revion International Clinic, em São Paulo, que recebe pacientes de diferentes partes do mundo, essas técnicas mostram como a cirurgia passou a alcançar estruturas antes consideradas fora do campo estético. “Estamos falando de procedimentos que podem alterar córneas, ossos e características corporais que acompanham a pessoa durante toda a vida. O resultado chama atenção, mas o paciente precisa compreender que uma transformação radical também pode envolver uma recuperação mais complexa e riscos maiores”, afirma.
Outro procedimento que vem despertando interesse é a remodelação de costelas, realizada para estreitar o contorno da cintura. Diferentemente da retirada dos ossos, a técnica modifica a posição dos últimos arcos costais para reduzir a largura da região. Após a cirurgia, o paciente precisa utilizar uma cinta ou um corset específico para manter as costelas no novo formato durante a cicatrização. Como a área está próxima aos pulmões e a estruturas importantes do tórax, uma execução inadequada pode provocar dor persistente, alterações na consolidação óssea e complicações respiratórias.
Também chamam atenção a umbilicoplastia, usada para modificar a forma, o tamanho ou a posição do umbigo; as cirurgias nos pés, que podem encurtar, reposicionar ou alterar o formato dos dedos e dos ossos; e os implantes musculares, próteses desilicone colocadas em regiões como peitoral, braços e panturrilhas para aumentar o volume. Embora sejam menos radicais do que o alongamento ósseo ou a remodelação de costelas, esses procedimentos também podem afetar movimento, sensibilidade esimetria corporal, principalmente quando realizados apenas para seguir um padrão estético.
Para o médico, a popularização dessas técnicas exige uma avaliação ainda mais criteriosa antes da cirurgia. “O público costuma enxergar apenas a transformação final, sem acompanhar o período de recuperação, as limitações e as possíveis complicações. Quanto mais radical for a mudança desejada, mais importante é avaliar a indicação, a formação do profissional e se o benefício realmente justifica o risco”, avalia.
