A falta de libido tem sido uma reclamação cada vez mais presente nos consultórios médicos e pode estar diretamente relacionada ao estilo de vida e à regulação do metabolismo. O excesso de gordura abdominal, por exemplo, pode reduzir o desejo sexual, assim como má alimentação, falta de sono e estresse.
Além disso, as famosas canetas emagrecedoras também podem ter influência na libido. E todos esses fatores se manifestam de formas diferentes em homens e mulheres.De acordo com o médico do esporte e nutrólogo, com foco em emagrecimento, Thiago Viana, em situações de desequilíbrio, o organismo prioriza funções mais básicas.
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É por isso que fatores como alimentação desequilibrada, excesso de gordura corporal e sono inadequado podem comprometer diretamente o desejo sexual. O sono, inclusive, é considerado um dos principais reguladores da libido, sendo que uma semana mal dormida já pode ser prejudicial. Além disso, níveis elevados de cortisol - conhecido como “hormônio do estresse” - também inibem a libido.
O estresse crônico mantém o nível de cortisol elevado. Por isso, segundo o médico, pessoas que dormem mal e vivem sob estresse constante dificilmente apresentam um bom desempenho sexual.
Excesso de gordura e desequilíbrio hormonal
O excesso de peso, especialmente a taxa de gordura abdominal, possui um papel importante nesse cenário. “A gordura visceral funciona como um órgão hormonal. Ela transforma testosterona em estrogênio, podendo contribuir para redução da libido, piora da disposição e alterações hormonais”, aponta o médico.
Segundo ele, estudos indicam que a perda de 5% a 10% do peso corporal já é suficiente para promover uma melhora significativa na função sexual e no equilíbrio hormonal. “Não se trata apenas de estética, mas de fisiologia”, afirma.
Diferenças entre homens e mulheres
O especialista explica que o desejo sexual também se manifesta de formas distintas entre os sexos. Nos homens, a libido é mais biológica e diretamente ligada à testosterona. Já nas mulheres, ela é multifatorial, sendo influenciada por questões emocionais, hormonais, ambientais e até pela carga mental.“Um homem que esteja muito cansado do trabalho, por exemplo, pode até manter o desejo sexual, mas uma mulher mentalmente sobrecarregada dificilmente terá libido. Hormônios como dopamina e serotonina são fundamentais nesse processo”, aponta Viana.
Alimentação e libido
Embora não existam alimentos isolados que diminuam ou aumentem diretamente a libido, o padrão alimentar a longo prazo exerce grande influência no desejo sexual. “O problema não é um alimento específico, mas o conjunto da dieta. Ultraprocessados, excesso de açúcar, álcool e deficiências nutricionais prejudicam a libido, pois favorecem inflamação e desregulação hormonal”, explica o médico.
Por outro lado, nutrientes como zinco, magnésio, gorduras boas e proteínas adequadas contribuem para a saúde hormonal.bA deficiência de zinco, por exemplo, está diretamente associada à queda de testosterona. Ou seja, não existem alimentos milagrosos e afrodisíacos, como muitos imaginam, mas é importante nutrir o corpo corretamente.
O impacto das canetas emagrecedoras
O uso de medicamentos para perder peso, como as famosas canetas emagrecedoras (GLP-1), também tem sido um assunto que levanta dúvidas sobre possíveis efeitos na libido. Segundo o nutrólogo, o impacto varia de acordo com o contexto.“Pode haver melhora na função sexual, principalmente pela perda de peso, redução da inflamação e aumento da autoestima. Mas também pode haver redução da libido, especialmente quando há ingestão calórica muito baixa, perda de massa muscular e queda de energia”, afirma Thiago.
Ele ressalta que a literatura científica associa a melhora da função sexual principalmente à perda de peso em si, e não necessariamente ao uso da medicação. Um paciente que emagrece com saúde tende a melhorar a libido. Já aquele que perde massa muscular e energia pode ter o efeito contrário.
Nesse cenário, a prática de exercícios físicos, especialmente o treino de força, também é essencial. Na avaliação do especialista, a melhora da libido não pode ser analisada de forma isolada, mas sim dentro de um contexto mais amplo de saúde.
“Não existe atalho: a libido não é um fator isolado, mas ela reflete diretamente a saúde física, mental e metabólica como um todo”, explica Viana.
Perfil
Thiago Viana é médico do esporte, nutrólogo e ortopedista, formado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM) em 2010. Atende na cidade de Bauru (SP) com trabalho especializado na medicina esportiva e qualidade de vida, com foco em emagrecimento e melhora de performance. Thiago é pós-graduado em medicina esportiva pela faculdade BWS e nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
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Ele também é membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC), da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO), da European Board of Obesity Medicine e da Sociedade Brasileira de Andropausa e Menopausa (SBAM).
