Durante muito tempo, famílias ouviram uma orientação que ainda hoje gera insegurança: a ideia de que o uso de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), como figuras ou pranchas de comunicação, poderia impedir a criança de falar. Apesar dos avanços no entendimento sobre o neurodesenvolvimento, esse mito ainda atrasa o acesso de crianças com autismo (TEA) a ferramentas capazes de reduzir frustrações, crises e dificuldades de interação.
A estratégia reúne recursos como pranchas ilustradas, aplicativos, imagens, gestos e dispositivos que auxiliam crianças com dificuldades de fala ou de comunicação funcional. Ao contrário do que muitos pais temem, a CAA não substitui a linguagem oral. Segundo a fonoaudióloga Paula Anderle, ela funciona como uma ponte para o desenvolvimento comunicativo.
“A comunicação precisa acontecer antes da fala perfeita. Quando a criança consegue pedir água, mostrar dor, escolher um brinquedo ou dizer que não quer algo, ela reduz sofrimento e passa a participar mais do mundo ao redor. A CAA não limita a fala, ela amplia possibilidades de comunicação”, explica.
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De acordo com a especialista, um dos principais desafios ainda é combater a ideia de que a comunicação só existe quando a criança fala verbalmente. Para Paula, diferentes formas de expressão também precisam ser reconhecidas como parte do processo comunicativo. “Toda comunicação importa. Um gesto, um olhar, uma figura apontada ou um botão acionado têm intenção comunicativa. Muitas crianças passam menos tempo frustradas e mais abertas à interação quando conseguem finalmente ser compreendidas”, destaca.
Além do ambiente terapêutico, o uso da CAA pode contribuir para a participação escolar, a autonomia e as relações familiares. Pequenas adaptações no cotidiano, segundo a fonoaudióloga, já podem fazer diferença na forma como a criança interage com as pessoas ao redor. “Quando a criança percebe que consegue ser entendida, ela tende a se engajar mais socialmente, participar de brincadeiras e demonstrar preferências. Comunicação é qualidade de vida”, afirma Paula.
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A discussão ganha relevância diante do aumento de diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento e da necessidade de fortalecer práticas de inclusão efetiva, especialmente no ambiente escolar.
