Segundo estudo publicado no Jornal de Pediatria, 62% das crianças apresentam sono agitado ou dificuldade respiratória noturna. Nem sempre, porém, o primeiro sinal de que uma criança não está respirando bem aparece no nariz.
Em muitos casos, ele surge no próprio rosto: face mais alongada, boca constantemente aberta, olheiras persistentes, lábios ressecados, sono agitado e até dificuldade para mastigar ou falar podem indicar um problema silencioso e progressivo conhecido como face adenoidiana.
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Segundo a otorrinolaringologista Loyane Bronzon, especializada em distúrbios respiratórios, sono e alterações de adenóide e amígdalas, a face adenoidiana não deve ser interpretada apenas como uma característica física da criança, mas como um importante sinal funcional de que algo não está bem.
“A criança que respira mal tende a adaptar o corpo inteiro a essa dificuldade. Ela passa a manter a boca aberta para conseguir respirar, dorme pior, pode roncar, acordar cansada e apresentar dificuldade de concentração durante o dia. Com o tempo, isso também interfere no crescimento da face e no posicionamento dos dentes”, explica.
A médica destaca que respirar pela boca não é normal e nunca deve ser tratado apenas como um hábito infantil. Quando essa respiração se torna constante, o organismo deixa de receber os benefícios da respiração nasal adequada, como filtragem, umidificação e aquecimento do ar.
Além das alterações faciais, outros sinais também costumam chamar a atenção dos pais, como ronco noturno, sono inquieto, baba no travesseiro, irritabilidade, dificuldade escolar, mastigação mais lenta, alterações na fala e infecções respiratórias frequentes.
“Muitas vezes, os pais procuram ajuda apenas quando percebem o ronco ou a dificuldade escolar, mas o rosto já vinha mostrando sinais há muito tempo. O diagnóstico precoce faz toda a diferença porque evita que essa alteração funcional evolua para problemas mais complexos, como alterações ortodônticas importantes e a necessidade de intervenções mais invasivas no futuro”, afirma.
Quando há suspeita, a avaliação com o otorrinolaringologista permite identificar a causa da obstrução respiratória e definir o melhor tratamento, que pode variar entre acompanhamento clínico, controle de alergias, medicações específicas e, em alguns casos, cirurgia para retirada da adenoide ou das amígdalas aumentadas.
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Para Loyane, observar a forma como a criança dorme, mastiga, fala e respira é tão importante quanto acompanhar exames e consultas de rotina.“O rosto da criança pode contar uma história antes mesmo de ela conseguir explicar o que sente. Quando existe respiração bucal persistente, o ideal é investigar cedo. Quanto antes corrigimos a causa, maiores são as chances de preservar o desenvolvimento saudável da face, do sono e da qualidade de vida”, explica.
