Em um cotidiano cada vez mais dominado por telas, teclados e comandos de voz, o hábito de escrever à mão perde espaço. A prática, no entanto, ativa áreas do cérebro relacionadas à memória, coordenação motora, criatividade e compreensão.

O tema divide opiniões ao redor do mundo. Em 2016, a Finlândia deixou de exigir o ensino da letra cursiva e passou a priorizar a digitação. Nos Estados Unidos, a cursiva perdeu força em 2010, embora estados como Califórnia e Flórida tenham reintroduzido a prática. Já países como França e Japão continuam a valorizar a escrita manual.

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No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não exige o ensino da letra cursiva como conteúdo isolado, mas a inclui no processo de alfabetização nos anos iniciais do ensino fundamental.

Segundo Patrícia Torres, coordenadora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick, a BNCC prevê o desenvolvimento de habilidades de produção de textos em diferentes grafias. "A escrita cursiva e manual ainda ocupa espaço importante na educação formal e deve ser valorizada como ferramenta para o desenvolvimento cognitivo, motor e acadêmico", pontua.

A importância da escrita na infância

Beatriz Martins, coordenadora pedagógica do Brazilian International School – BIS, afirma que a escrita manual é essencial durante a alfabetização. "O ato de formar letras no papel envolve coordenação motora fina, controle muscular, percepção espacial, atenção e planejamento", explica.

Ao escrever, a criança ativa diferentes áreas do cérebro, o que fortalece conexões neurais importantes para a aprendizagem. "A criança não apenas reconhece a letra, ela vivencia o movimento necessário para produzi-la, fortalecendo a relação entre som, símbolo e significado", acrescenta Martins.

Para Jacqueline Cappellano, psicopedagoga da Escola Internacional de Alphaville – EIA, escrever à mão desenvolve melhor compreensão leitora, memória e capacidade de organização do pensamento. "A escrita manual envolve um processo complexo que conecta a mão ao cérebro, facilitando a fixação de conteúdos", diz.

A especialista da EIA destaca outros benefícios para o desenvolvimento infantil:

  • aprimoramento da coordenação motora fina;

  • fortalecimento da aprendizagem;

  • desenvolvimento da criatividade e da expressão;

  • melhora na concentração e atenção;

  • fortalecimento da autoconfiança.

Hábito deve seguir na vida adulta

Para adultos, a escrita manual continua sendo uma aliada para a produtividade, memória e saúde mental. Luísa Cassaniga, coordenadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue Taquaral, explica que a prática ajuda o cérebro a filtrar e priorizar informações.

"Diferentemente da digitação, a escrita manual exige síntese. Por isso, ela melhora a retenção do conteúdo e pode até reduzir a ansiedade, ao externalizar pensamentos", afirma a especialista, que sugere pequenos hábitos para manter o cérebro ativo:

  • fazer listas de compras ou tarefas no papel;

  • usar agenda ou planner para organizar compromissos;

  • escrever resumos e mapas mentais ao estudar;

  • manter um diário para registrar pensamentos e emoções;

  • escrever cartas, bilhetes ou mensagens especiais;

  • praticar lettering ou caligrafia como hobby;

  • anotar metas semanais ou mensais;

  • testar exercícios com a mão não dominante para estimular novas conexões cerebrais.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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