O avanço do uso das chamadas canetas emagrecedoras, baseadas em agonistas de GLP-1, tem ampliado o debate sobre segurança, indicação adequada e acompanhamento dos pacientes. Para Harley De Nicola, médico radiologista e superintendente da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), já é observado um impacto na medicina diagnóstica, sobretudo em situações específicas, como dor abdominal, suspeita de pancreatite e investigação de cálculos na vesícula.
Leia Mais
“Essas medicações podem ser seguras e eficazes quando bem indicadas, mas não devem ser encaradas como uma solução mágica. O acompanhamento médico é indispensável para monitorar efeitos gastrointestinais, alterações metabólicas e sinais de complicações mais graves, como pancreatite. Nesse contexto, a medicina diagnóstica tem papel importante ao apoiar a investigação de sintomas e contribuir para decisões mais rápidas e seguras ao longo do tratamento”, afirma De Nicola.
Com a popularização dessas medicações, os serviços de saúde já começam a perceber um novo perfil de paciente, mais atento à monitorização metabólica e, eventualmente, à necessidade de exames direcionados para avaliação do fígado, pâncreas e outras estruturas abdominais.Com isso, exames se consolidam como aliados, a medicina diagnóstica se consolida como aliada importante para apoiar decisões clínicas, diferenciar efeitos esperados de sinais de alerta e garantir mais segurança ao cuidado.
Início e acompanhamento
Entre os efeitos adversos mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Em alguns casos, também podem surgir hipoglicemia, desidratação e perda de massa muscular, especialmente quando há redução importante da ingestão alimentar. Já entre as complicações mais graves, a pancreatite aguda se destaca como uma das principais preocupações, reforçando a necessidade de avaliação clínica cuidadosa e monitoramento contínuo.
Antes de iniciar o tratamento, a recomendação é que o paciente passe por avaliação médica completa, incluindo exame físico, histórico clínico e exames laboratoriais básicos, como glicemia, função hepática, função renal e colesterol. Os exames de imagem podem ser indicados em suspeita de cálculos biliares. Ao longo do uso, o acompanhamento costuma ser individualizado, com consultas periódicas e monitoramento clínico e laboratorial conforme a evolução de cada paciente.
Para De Nicola, o diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão de complicações. A identificação rápida de sinais de intolerância gastrointestinal pode impedir quadros de desidratação, enquanto o reconhecimento precoce de uma pancreatite, por exemplo, pode reduzir o risco de evolução para formas mais graves e até de internação.
Outro ponto de atenção é que o emagrecimento acelerado pode mascarar ou retardar o diagnóstico de outras doenças. Sintomas como dor abdominal podem ser atribuídos apenas ao uso do medicamento, quando, na verdade, podem indicar condições mais sérias. Até mesmo a perda de peso, frequentemente esperada durante o tratamento, pode coincidir com distúrbios hormonais ou outras doenças, o que reforça a importância do acompanhamento médico contínuo.
“Além disso, nem todos os pacientes são elegíveis para esse tipo de terapia. Histórico de pancreatite, doenças gastrointestinais mais graves, gastroparesia, alterações na tireoide, risco de câncer de tireoide, além de gestação e amamentação, estão entre os fatores que exigem avaliação criteriosa antes da prescrição”, ensina o médico.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
