A ideia de que uma inteligência acima da média pode ser um gatilho para a ansiedade é comum, mas a relação entre os dois é mais complexa e controversa do que parece. Enquanto algumas teorias sugerem que a mente que processa informações rapidamente também tende a hiperanalisar, criando um ciclo de preocupação, as evidências científicas sobre o tema são mistas.

A ciência apresenta resultados conflitantes. Alguns estudos menores, especialmente com pessoas já diagnosticadas com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), encontraram uma correlação entre alta capacidade cognitiva e preocupação excessiva. Um exemplo frequentemente citado é um estudo publicado na revista Intelligence (2015), que identificou uma associação entre maior QI verbal e níveis mais elevados de preocupação em indivíduos com TAG.

No entanto, pesquisas mais robustas e recentes apontam para o lado oposto. Um estudo de 2022 com mais de 260 mil participantes do UK Biobank, por exemplo, concluiu que uma maior inteligência pode funcionar como um fator de proteção contra a ansiedade.

Essa análise, conduzida por pesquisadores liderados por Ruth Karpinski e posteriormente ampliada em grandes bases populacionais, indica que indivíduos com maior desempenho cognitivo tendem a apresentar menor prevalência de transtornos mentais em larga escala.

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Apesar da controvérsia, algumas hipóteses tentam explicar por que essa ligação pode ocorrer em certos indivíduos. Uma delas é que uma percepção aguçada do mundo pode levar à identificação de mais problemas e riscos potenciais.

Essa tendência a criar cenários hipotéticos e se preocupar com desfechos negativos pode alimentar a ansiedade, mesmo que tais resultados sejam improváveis. Pesquisas em psicologia cognitiva associam esse padrão ao conceito de ruminação e preocupação antecipatória, mecanismos frequentemente presentes em quadros ansiosos.

Outro fator frequentemente associado é a pressão por desempenho. A cobrança, tanto interna quanto externa, para corresponder às expectativas de ser “brilhante” pode gerar um medo constante de falhar. Nesse contexto, cada erro pode ser interpretado como uma prova de que não se é tão inteligente quanto se espera, alimentando a insegurança.

Estudos sobre perfeccionismo, como os publicados no Journal of Anxiety Disorders, mostram que padrões elevados de autoexigência estão diretamente ligados ao aumento de sintomas ansiosos, independentemente do nível de inteligência.

Da mesma forma, a tendência a refletir sobre questões existenciais de forma mais profunda é apontada como um possível contribuinte. Pensamentos sobre o sentido da vida, a morte e injustiças sociais podem se tornar fontes de angústia quando não há respostas claras, sobrecarregando a mente de algumas pessoas. Na literatura, esse fenômeno é por vezes relacionado à chamada “hiperconsciência existencial”, investigada em áreas como psicologia existencial e saúde mental.

Sinais e como buscar equilíbrio

Independentemente do nível de QI, a tendência à hiperanálise pode gerar ansiedade. Identificar os gatilhos é o primeiro passo para uma rotina mais saudável. Alguns sinais de que o excesso de pensamento está se tornando prejudicial incluem a dificuldade para “desligar” o cérebro e a análise paralisante, que ocorre quando se pensa tanto sobre uma decisão que se torna impossível agir.

Para equilibrar essa intensidade mental, algumas estratégias podem ser úteis:

  • Focar no presente: práticas de atenção plena, como a meditação, ajudam a acalmar a mente e a reduzir a preocupação com o futuro.

  • Estabelecer metas realistas: é importante aceitar que a perfeição não existe e aprender a valorizar o progresso, e não apenas o resultado final.

  • Canalizar a energia: direcionar a capacidade intelectual para hobbies, projetos criativos ou atividades físicas ajuda a desviar o foco das preocupações.

  • Buscar apoio profissional: um terapeuta pode oferecer ferramentas eficazes para lidar com a autocobrança e os padrões de pensamento ansiosos.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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